Mundos Estranhos

Caçado na galáxia Zerachon

 

CICLO Mordred

 

16

MUNDOS ESTRANHOS

POR

NILS HIRSELAND

 

IMAGEM DA CAPA

STEFAN LECHNER

Título Original:

Fremde Welten

 

Tradução:

Dirceu Alvir Rudnick

 

Revisão:

Márcio Inácio Silva

Marcos Roberto

 

Formatação final para liberação no Projeto Traduções:

Márcio Inácio Silva

 

Capa em português

Manuel de Luques

 

Conversão para os formatos ePub, PDF e Mobi:

José Antonio

Publicação não comercial

O projeto Dorgon – ciclo Mordred – é uma publicação não comercial feita por fãs do Centro de fãs do PERRY RHODAN e. V., Rastatt (Tribunal Distrital de Mannheim, VR 520740) e representada por Nils Hirseland, Redder 15, 23730 Sierksdorf. Esta fanfic foi escrita por fãs para fãs da série PERRY RHODAN.

 

A tradução para o Português do Brasil é feita com autorização de Nils Hirseland.

 

Perry Rhodan®, Atlan®, Icho Tolot®, Reginald Bull® e Gucky ® são marcas registradas

Perry Rhodan KG, Rastatt, Alemanha (PR KG),

Star Sistemas e Projetos Gráficos Ltda., Belo Horizonte, Brasil

 

www.projtrad.org/dorgon

dorgon@projtrad.org

  1. O que aconteceu até agora 

 

No final do ano de 1290 NCG a Organização MORDRED tratou de espalhar o terror e o pavor na Via Láctea. Ela age nos termos do misterioso Rodrom e do filho do caos Cau Thon, que aparentemente querem mergulhar a via láctea em um caos.

Mas isso agitou a resistência das profundezas do Universo. Assim, os cavaleiros das profundezas de Shagor tornaram-se os novos aliados dos terranos. No entanto, Cau Thon atacou a sede dos cavaleiros e matou todos eles, com exceção de dois, que escaparam e encalharam na galáxia Zerachon.

Neste mesmo tempo, a nave espacial de passageiros e transporte TEBAS parte da Terra para Olimpo. Mas a tripulação e os passageiros não tinham ideia de que em breve fariam parte de uma aventura cósmica e seu objetivo não será Olimpo, mas MUNDOS ESTRANHOS...

 

Personagens principais deste episódio:

 

Jonathan Andrews – Um carismático terrano.

Remus e Uthe Scorbit – O casal tenta se recuperar das aventuras da LONDON II.

Marquês Dom Philippe Alfonso Jaime de la Siniestro – Um homem de uma época passada.

 

Prólogo

— A ordem dos cavaleiros das profundezas em Shagor foi exterminada.

As palavras tristes ditas pela alyske Elyn também entristeceram Sato Ambush. Elyn relatou ao alyske e ao terrano do Japão sobre o ataque de Cau Thon, a destruição da Catedral, bem como, o massacre de quase 100 cavaleiros de uma ordem que tinha sido estabelecida separada dos verdadeiros cavaleiros das profundezas.

— Só uma espaçonave dos cavaleiros escapou do inferno. No entanto, provavelmente ela foi involuntariamente transferida para a galáxia distante de Zerachon, enquanto voava através do portal estelar. Eu também rematerializei lá, apesar de ter introduzido as coordenadas para o portal do Grupo Local. Eu suspeito que Rodrom tenha conseguido acessar o controle do portal — esclareceu Elyn.

— Precisamos tomar medida preventiva, caso contrário, em breve Rodrom controlará todos os portais — decidiu o alyske.

Sato sabia que o alyske tinha conhecimento sobre a antiga tecnologia do portal. Ele já tinha manutenido, reparado ou provido com o novo software alguns portais ao longo dos anos, cujos algoritmos, porém, permaneciam um mistério para Ambush. Esses transmissores gigantescos eram usados tanto pelos poderes do caos de Rodrom como também pelos seus inimigos. Provavelmente não haveria nenhuma vantagem estratégica para nenhuma das partes, destruí-los, mas usá-los ou manipulá-los a seu favor.

— No entanto, Rodrom também estava muito ativo aqui — disse Ambush e mencionou novamente os eventos de algumas horas atrás. Uma espaçonave de passageiros terrana tinha sido levada diretamente para a posição de transporte dos casaros recentemente.

— Aparentemente, Rodrom queria vivos os seres que se encontravam a bordo. Para que finalidade era desconhecida por nós. No entanto, eu salgarei um pouco a sopa — disse o alyske, sorrindo estranhamente.

Os lábios de Elyn esboçaram um pequeno sorriso antes que voltassem a ficar sério. Ambush estava surpreso que ele sabia se expressar com provérbios terranos. O alyske tinha aprendido muitas expressões terranas com Ambush ao longo dos anos e agora as usava muitas vezes. Mas provavelmente o alyske também não gostava de muito sal em sua sopa.

— Você não deve se ocupar de maneira descuidada com a vida dos terranos — advertiu Elyn.

O alyske balançou a cabeça. Seus cabelos azuis desgrenhados esvoaçaram em todas as direções.

— Nem um pouco! Nós enviaremos alguma ajuda aos últimos cavaleiros das profundezas de Shagor e então veremos se os terranos, que escaparam do cativeiro dos casaros, realmente estão sendo usado por Rodrom ou se aliarão aos seres bons. Em caso de dúvida, o meu plano salvará a vida dessas pessoas.

— Espero que sim — disse Elyn. — Eu volto a cruzar a galáxia. Eu gostaria de poder ajudar e entrar em contato com os terranos ou saggittonenses, mas...

— ... seu antigo senhor a proibiu — acrescentou o alyske.

Elyn não respondeu. Ela desejou sorte ao membro de sua espécie e Sato Ambush. Em seguida, a RIVEDELL desapareceu na escuridão do espaço.

Capítulo 1

TEBAS

 

24 horas antes.

A TEBAS era uma nave esférica de 250 metros de diâmetro, que pertencia à pequena Companhia de Transporte Linha Estelar Terra-Olimpo e circulava como uma nave de passageiros entre a Terra e Olimpo.

Em plena capacidade, a TEBAS poderia comportar um total de 800 passageiros, além de mais 217 tripulantes. Nestes dias, no entanto, todo o mercado de turismo estava em crise. Apenas 157 passageiros tinham feito reservas a bordo para a partida da TEBAS do espaçoporto de Aldebaran em Terrânia.

O capitão Harold Fatzar já podia imaginar os gemidos do transportador. Desde a catástrofe dos dscherros parecia que os terranos não tinham tanto dinheiro para viagens, o que era bastante compreensível. Os moradores de Terrânia tinham o cuidado de reconstruir a cidade e muitos europeus, americanos, ou afro-terranos tinha feito são grandes doações aos desabrigados e as vítimas. Para isso, no entanto, eles precisavam mais uma vez economizar em outras coisas.

Esta crise tinha reflexos nas companhias de transporte já endividadas. As consequências foram algumas demissões e retiradas dos serviços. A TEBAS também estava na lista negra. O chefe da linha deu a Fatzar seis meses antes que ele retirasse a TEBAS de serviço.

O próprio capitão não era um dos mais respeitados comandantes de espaçonaves de passageiros terranas. Uma vez, ele já tinha sido o imediato da linha de passageiro da IMPERATRIZ DO ESPAÇO SIDERAL1, mas a Companhia de Transporte LETO o havia atraído com um monte de dinheiro e um comando, quando um novo capitão foi colocado na frente do seu nariz. No entanto, ele foi parar na velha barca TEBAS, onde ele não tinha imaginado. Afinal, a TEBAS tinha orgulhosos 123 anos nas costas. Em todos os cantos e extremidades, havia ferrugens que necessitavam de reparos, no entanto, a empresa de transporte não podia ou queria. Mentalmente Fatzar tinha desenganchado da TEBAS e já estava procurando possibilidades de começar uma vida nova com um monte de galaxes. Até agora, porém, ele não tinha nenhuma ideia brilhante.

Juntamente com o seu primeiro-oficial, o tópsida Gavron Yark e o juelziish de Gatas Zypuelue, que se ocupava do localizador, ele sentou-se na pequena central de comando e fumou um cigarro com prazer.

— Então vamos voar mais uma vez — murmurou ele com indiferença e acionou o comunicador de bordo.

— Meus queridos passageiros, meu nome é Harold Fatzar e eu sou o comandante da TEBAS. Nós partiremos neste momento e chegarem em dois dias em Olimpo. Estes dois dias serão para vocês um evento memorável, maravilhoso e relaxante. Eu gostaria de reiterar mais uma vez o grande serviço da LETO, cada membro da tripulação está à disposição de vocês para responder todas as possíveis perguntas tolas que vocês possam ter, por uma pequena gorjeta em dinheiro, e cada cabine tem seu próprio banheiro, bem, se isso não for nada. Divirta-se este é o desejo da Companhia de Transporte Linha Estelar Terra-Olimpo!

Fatzer colocou o cigarro na boca e olhou para os outros dois na central de comando, que encarraram seu capitão intrigados.

— O quê? De qualquer maneira nós todos seremos demitidos em breve. Se nós e a LETO tivermos sorte nós terminaremos como a LONDON. Então, a companhia receberá uma gorda quantia do seguro e nós teremos a nossa...

 

*

 

Uthe Scorbit olhou surpresa para o marido Remus, depois de ouvir o anúncio do capitão. Remus não pode deixar de rir.

— Por tanto serviço eu não esperava. Um banheiro separado, estou sem palavras...

Os dois queriam ir para Olimpo visitar os avós de Remus. O casal já tinha passado por tempos difíceis. Eles tinham sido passageiros da LONDON II, a qual ficou conhecida por ter sido raptada pelo mascant arcônida Prothon da Mindros. Lá, eles experimentaram todo tipo de aventuras. Pouco depois do sequestro, ambos escaparam junto com o cientista terrano Timo Zoltan. Eles encontraram uma estação dos casaros em uma dobra de espaço-tempo, um povo semelhante a cobras. Lá, eles foram descobertos por um couraçado do Império Solar e escaparam com a sua tripulação sob o comando de Joak Cascal e Sandal Tolk. Depois de algum tempo que os passageiros da LONDON tinham sido resgatados, após o seu regresso, os dois tiveram que passar alguns meses em Nova Roge, uma vila não muito longe de Terrânia para se recuperarem. Agora, eles partiram novamente em uma viagem.

Pela primeira vez, Uthe estava preocupada em entrar mais uma vez em uma espaçonave. Ela ainda estava com medo de que algo pudesse acontecer, mas Remus assegurou-lhe que não poderia haver essa grande coincidência duas vezes consecutivas.

Cuidadosamente, ela olhou para o pulso onde estava o cronômetro multifuncional de prata.

— Espero que Yasmin chegue em breve...

Isto significava que sua melhor amiga uma jovem terrana, Yasmin Weydner, também participaria da viagem. Remus secretamente não estava muito entusiasmado com isso, porque ele preferia fazer com sua esposa um cruzeiro harmonioso a dois e que, além disso, às vezes considerava a irritante Yasmin Weydner como uma perturbação.

— Bem, se ela perdeu o voo, não podemos ajudá-la. Primeiro vamos para as cabines. Caso ela ainda apareça, certamente nos encontrará sozinha — disse ele e seguiu em frente.

“Se eu tiver sorte, isso não acontecerá”, acrescentou ele em pensamento, sorrindo.

O salão de recepção não parecia particularmente atraente. Um carpete azul e vermelho-escuro de aparência suja e paredes parcialmente manchadas dominava o salão. Pouca pompa e pouco de luxo. A nave era uma nave de transporte normal, que dificilmente merecia o título de nave espacial de cruzeiro. A vantagem, contudo, era visível no preço. Na TEBAS as passagens para o casal Scorbit custaram apenas a metade do que custaria na LONDON II para um único indivíduo.

Após o check-in dos Scorbit, eles foram para sua cabine, que obviamente não era tão luxuosamente mobilados como na LONDON II, mas isso não importava ao casal, contanto que a TEBAS chegasse a Olimpo.

 

*

 

— Ei, seja um pouco mais cuidadoso com esta beleza!

Jonathan Andrews estava preocupado com o planador vermelho, que era transportado lentamente para um compartimento de carga por um dispositivo antigravitacional.

— Não fique preocupado, nós não quebraremos o veículo — murmurou um ertrusiano, que em pé dirigia o dispositivo antigravitacional e o planador, o qual aos olhos de Andrews inspirava pouca confiança.

Jonathan Andrews era um terrano de 24 anos que estava viajando em nome de uma empresa de planadores. Ele deveria levar este protótipo do XE-Thunder 1291 I, abreviado XETY, são e salvo para Olimpo, o planeta natal do cliente.

Andrews lamentou que ele próprio não pudesse comprar o XETY, porque o planador significava muito para ele. Ele não era apenas uma parte importante da sua profissão, mas também o seu maior hobby. Para Jonathan, não havia nada melhor do que mexer no fim de semana em seu planador, um velho Cliox.

Calmamente, o euro-terrano de 1,80 metro terminou a expedição da “excelente peça”. Então ele foi para sua cabine, onde uma surpresa na forma de uma atraente terrana de cabelos castanhos, pele clara e 1,55 metro de altura, o aguardava.

— Yessica, o que você está fazendo aqui? — perguntou Andrews totalmente perplexo.

— Eu queria surpreendê-lo. Na verdade, eu estava a caminho de Ferrol, mas quando vi você carregando este grande planador esportivo, eu pensei em te acompanhar até Olimpo. Em memória aos velhos tempos...

Andrews balançou a cabeça. Não sabia se devia ficar feliz ou chorar. Tivera um breve romance com Yessica Brahzz, mas, assim como ela, o deixara para trás.

O terrano foi até o banheiro e retirou o macacão. Yessica aconchegou-se nele.

— Eu gosto do seu corpo forte — sussurrou ela em seu ouvido.

Jonathan não pode deixar de sorrir. Ele gostava quando lhe faziam elogios.

Andrews era um homem educado, também era muito direto, o que às vezes deixava os outros ressentidos com ele. Ele gostava de mostrar a todos o que ele tinha e o que sabia, que excelentes atos ele tinha feito. Naturalmente, ele se sentia vingado por esse elogio vindo da boca de uma mulher atraente.

— Apenas a sua barriga de cerveja precisa desaparecer!

Amuado, Andrews se livrou do abraço de sua namorada e vestiu uma camisa nova.

— Bem, eu estou cansado e gostaria de deitar-me por algumas horas. Nós nos vemos no jantar, ok?

Yessica sorriu timidamente e balançou o corpo levemente para trás e para frente.

— Há um problema...

— E qual é?

— Bem, o voo para Ferrol teria sido muito mais barato. Eu não tinha muito dinheiro, por isso me passei como sua noiva e assim só paguei metade...

Andrews olhou para ela, surpreso, enquanto deitava em sua cama e se aconchegava nela.

— Desde quando dão um desconto para casais?

— Desde que eles compartilhem a mesma cabine...

 

*

 

Ambos os Scorbits estavam se acomodando confortavelmente na cabine. Enquanto Uthe arrumava as coisas nos armários, Remus estava largado no sofá e olhava trivídeo. Em todos os canais passavam relatórios sobre a destruição do planeta Sverigor pela Mordred. Também foi mencionado que os sverigornenses provavelmente estavam trabalhando em uma arma secreta para erradicar geneticamente a Humanidade. Remus não tinha nenhuma simpatia por essa Mordred e também pelos sverigornenses. Eles deveriam se destruir calmamente um ao outro. Isso tornaria a galáxia provavelmente um pouco mais segura.

A suíte era muito confortável, embora o mobiliário fosse modesto. Ela consistia de dois quartos com uma cabine de banho.

A esquerda flutuava a grande cama de casal, ao lado dela se erguia armários metálicos com painéis de madeira na parede. Na parte oposta da sala havia uma grande mesa de vidro que flutuava cerca de 50 centímetros acima do chão, duas poltronas e um sofá formado de energia e vários equipamentos de multimídia, como um projetor holográfico, intercomunicador, leitor de música e uma interface para navegação na rede galáctica.

Depois disso, Remus finalmente despertou para a necessidade de ajudar sua esposa a desfazer as malas, então a campainha da porta tocou.

— Quem poderia ser...? — murmurou a terrano e já sabia a resposta. Ele apertou o interruptor ao lado da entrada. A escotilha deslizou para o lado com chiados e rangidos surpreendentemente altos.

Ele sorriu para a terrana de grandes olhos azuis, com cerca de 1,65 metro de altura, ligeiramente encorpada, com uma juba vermelha encaracolado e um rosto engraçado.

— Yasmin... — observou Remus sem entusiasmo.

Uthe deu-lhe um olhar de soslaio. Imediatamente o fazendeiro involuntariamente tornou-se mais efusivo.

— Que bom te ver!

As duas se olharam por um momento, em seguida, Yasmin abraçou sua melhor amiga.

— Uthinha, um abraço! Desculpe-me, eu estou atrasada, mas tive problemas para encontrar o espaçoporto e, então, esta nave. Mas eu ainda consegui chegar a tempo.

Mais uma vez a jovem terrana sorriu, ela como Uthe cresceram em Nova Roge, uma vila rural perto de Terrânia.

Remus achava Yasmin bastante atraente com suas curvas femininas, mas não tão delicadas quanto as de Uthe. O que o incomodava era o seu comportamento infantil.

No entanto, ela tinha uma forma revigorante de ser, o que ele mesmo não podia negar.

— Primeiro eu vou para minha cabine arrumar tudo. Nós nos encontramos em uma hora para o jantar, beijinhos.

Tão rapidamente quanto Yasmin surgiu, ela também desapareceu da suíte dos Scorbits. Remus respirou profunda e brevemente, e virou-se para Uthe.

— Uma hora, humm, não podemos perder tempo — disse ele com ternura, quando a campainha da porta tocou uma segunda vez. Algumas maldições foram proferidas do lado de fora, Remus correu para a porta e tocou no controle de abertura. Novamente, a escotilha produziu um estalo alto. O equipamento presumivelmente precisaria ser reparado.

— O que mais, Yasmin? — quis saber ele, mas não era a jovem terrana, mas um casal de velhos estava diante dele.

Primeiro Remus acreditou que era uma alucinação, um pesadelo, uma pararrealidade, então ele percebeu que esses dois humanos eram genuínos.

Um grito de horror ecoou pela cabine, Uthe assustou-se. Preocupada ela correu para a porta da frente.

— O que está acontecendo?

— Bom dia, somos os Braunhauer. Poderia nos ajudar com as malas? Papaizinho não pode com elas por causa de suas costas. Ele foi soterrado na época da guerra contra os cantaros. Desde então, já não é mais o mesmo e eu não posso mais levantar a mala pesada, desde que eu vi a senhora Jarnus sofrendo com lombalgia. Não, eu também não levanto mais nada. Para isso há as pessoas jovens, não é? Você parece ainda jovem, você ainda pode... Diga-me, nós não nos conhecemos de algum lugar?

Remus Scorbit permaneceu enraizada no local, depois que a mulher terminou seu longo discurso em seu tom pesado e lento.

Uthe fez uma careta de desconforto. Ela não conseguia entender como eles poderiam encontrar novamente esse casal precisamente aqui.

Karl-Adolf Braunhauer, um velho aposentado, dominador, melancólico, de atitude extremamente conservadora e uma vontade constante que não admitia contradição, e sua esposa Ottilie, uma velha senhora irritante que se deleitava continuamente recordando do passado e queixava-se de seus sofrimentos, também tinham sido passageiros a bordo LONDON II e não tinha tornado o sequestro mais fácil pela sua natureza. Rumores diziam que um dos brutais casaros se matou depois de ter passado algum tempo com os Braunhauer capturados.

“Isso vai ser divertido”, disse Uthe internamente e olhou para o marido, que se recuperava do choque com dificuldades.

— Ah, agora eu sei. Você é o, bem... bem... a... a... coisa ... bem, o homem que... a coisa, que voa através do espaço e foi nomeada com o nome da capital da Itália...

— Essa foi a Inglaterra, Ossi — corrigiu Karl-Adolf e colocou a mão em seu coração, com o qual ele queria demonstrar o seu sofrimento sem fim.

— Oh, eu sempre confundo este planeta com outro. Bem, foi na LONDON II. Eu não sou estúpida, certo?

No entanto, Remus pensou e disse: — De forma alguma, sra Braunhauer.

— Bem, em todo caso, é uma coincidência que nos encontramos aqui novamente. Estamos aqui para buscar uma prima do meu marido no hospital psiquiátrico — começou ela a contar.

“Buscar?”, pensei que vocês se juntariam a ela.

— Isso é que é amor, Inge. Agora ela virá para uma bela casa tranquila perto daqui. Sim, sim, eu já contei a vocês a história do Natal 1147? Não, certamente que não. Afinal, uma vez que era Natal mesmo, e eu e vovó Ella queríamos cozinhar. Lembro que ela queria fazer, a propósito vovó Ella, é a mãe do papaizinho. — A mulher parou por um momento, então continuou. — O que eu estava dizendo? Ah sim, lembrei que vovó Ella, a mãe do papaizinho, queria fazer couve. Couve para o Natal! O que é isso! Já que, naquele momento, eu estava na cozinha e fiz couve e isso para o Natal. Realmente!

“Nessa ocasião, eu ainda era gordinha. Então Inge veio em um vestido tão fino! E eu estava ali em meu avental, porque eu estava fazendo couve para o Natal. Isso foi talvez algo tão embaraçoso para mim.”

— Bem, não fale tanto Ossi, eu preciso resolver isso. Agora basta arrastar a mala, meu jovem, eu não tenho muito tempo! — ordenou Karl-Adolf Braunhauer imperiosamente.

— Sim, senhor! — exclamou Remus, para que todos pudessem ouvi-lo no corredor. Furioso, ele levou três das quatro malas e arrastou-as para a cabine oposta. Aparentemente, na TEBAS não havia nenhum servorrobô ou transportador antigravidade. Infelizmente, as malas foram montadas sem módulo antigravidade. Esses eram muito baratos hoje em dia. As malas modernas seguiam os proprietários, por meio de um sensor e flutuavam atrás dele sozinhas devido a um dispositivo antigravitacional.

Uthe quis apanhar a última mala, mas Karl-Adolf a deteve.

— Não, minha querida, você não precisa fazer isso. Isso pode ser feito pelo seu marido — disse ele gentilmente, acariciando as mãos dela várias vezes, Uthe ficou pouco animada com isso, ao contrário do velho aposentado, que a olhava com avidez.

Ottilie Braunhauer olhou através da área, quando Remus informou tossindo alto.

— Onde está o cartão de identificação?

— Que cartão?

— O cartão de identificação da suíte.

— Oh, está com o papaizinho.

O velho terrano da grande metrópole europeia de Berlim procurou o cartão em seu bolso sem sucesso. Ele inflamou uma discussão sobre onde ele tinha colocado o cartão de identificação. Remus parecia perto de um colapso nervoso. Depois de uma eternidade, Karl-Adolf Braunhauer finalmente encontrou o cartão de identificação. Ele estava no bolso da calça. No ritmo de uma lesma o aposentado se arrastou até a porta e colocou tremendo o cartão na abertura. Naturalmente, ele comentou cada movimento com um gemido alto e colocou a mão em seu coração ou nas costas.

Após Remus ter carregado todas as quatro malas e os Braunhauer não terem mais nenhuma ordem para ele, exausto ele se arrastou até sua cabine e caiu na cama.

— Por que precisamente eles? Por mim poderíamos ter Prothon da Mindros ou o líder dos casaros a bordo da TEBAS, mas não eles!

Uthe sentou-se ao lado do marido e acariciou-o ternamente.

— Nós os veremos somente por dois dias — disse ela tentando acalmá-lo.

— Somente dois dias... — disse ele lentamente. — Quem sabe o que tudo eles farão neste tempo.

 

*

 

Jonathan Andrews quase não conseguiu dormir, porque Yessica simplesmente não desistia de lhe passar cantadas. Andrews ainda resistia com sucesso aos encantos dessa mulher, mas gradualmente começou a se perguntar se era realmente isso que ele queria.

O que ele queria, de qualquer forma, era primeiramente comer uma comida boa e abundante. Por isso, ele foi ao restaurante de bordo em companhia de seu suposto romance.

Jonathan recebeu um lugar na mesa do capitão e muito em breve teria a duvidosa honra de conhecer o comandante da nave, que naturalmente pendurava uma ponta de cigarro na boca.

Estavam também na mesa os Scorbits, os Braunhauer e outras seis pessoas. Um deles era Vulfgersh, um empresário de finanças ferrônio, com pele azul e cabelos ruivos. Vulfgersh estava vestido com um terno caro e aos olhos de Andrews agia, na melhor das hipóteses, como um burguês.

À sua direita estavam entronizados dois epsalenses. Bjordahl Scott e sua mãe Regy. Andrews não esperavam compartilhar com os dois indivíduos adaptados ao ambiente corpulentos em um espaço tão estreito.

À esquerda de Vulfgersh estava o casal Urksmarzk. Eles vieram de um povo relativamente desconhecidos, os col’phalls, descendentes de peixe que viviam em mundos de água no Eastside e nas últimas décadas despertaram o interesse galáctico por suas transações com os juelziishs. Embora os col’phalls vivessem na água, mas também tinham pulmões e assim eram capazes de sobreviver muito tempo em áreas úmidas.

G’Urksmarzk e sua esposa S’Urksmarzk eram pescadores e mercadores. Havia minerais raros no planeta natal o mundo Col’Phall. Além disso, existiam caranguejos e lagostas, que eram uma iguaria para os terranos e os arcônidas. Aparentemente, os Urksmarzk eram comerciantes e pescadores de iguarias.

No entanto, os dois pareciam extremamente estranhos para Andrews por causa de sua fisiologia. Isso não era por que eles se pareciam com um peixe terrano, mas, principalmente, porque eles possuíam seus órgãos genitais sob o queixo. O que com grande imaginação parecia com um cavanhaque, era, na realidade, o pênis em G’Urksmarzk. Em contrapartida, sua esposa S’Urksmarzk tinha um orifício no pescoço.

A última pessoa sentada diretamente ao lado dos Scorbits e chamava-se Yasmin Weydner. Andrews achou a ruiva bastante atraente.

Harald Fatzer ergueu sua taça.

— Sim, pessoal, eu lhes dou as boas-vindas a bordo da preciosa e única TEBAS, uma nave frente a qual a IES e a LONDON ficariam pálidas, se elas ainda pudessem.

Fatzer riu em gargalhadas. Sua piada, no entanto, não estava particularmente ligada a nada, especialmente aos Scorbits.

Jonathan Andrews falou.

— Obrigado, Harold, pelas boas-vindas amigáveis, eu estou certo de que...

Jonathan ficou momentaneamente sem palavras quando viu a ponta do cigarro cair no copo de cerveja do comandante e, em seguida, ele esvaziar o copo em um gole.

— De qualquer forma, tenho certeza de que estamos em boas mãos aqui e passaremos dois dias inesquecíveis, de uma forma ou de outra.

Dois blues serviram os alimentos. Esfomeado, Jonathan Andrews atirou-se nas iguarias.

— Muito saboroso? — disse ele, satisfeito, comendo a carne macia coberta com queijo. — O que é exatamente isso? — quis saber ele.

— Oh, isso é cérebro de bovino zalita coberto com queijo em um delicioso molho de cogumelos de Ferrol — respondeu o blue com sinceridade.

Uthe Scorbit cuspiu a carne imediatamente e tomou um gole de sua bebida. Yasmin fez uma careta e empurrou o prato lentamente para longe dela.

— Eu posso ficar com eles? — perguntou o epsalense Bjordahl Sott, olhando avidamente para os pratos das duas mulheres.

— Por favor, sirva-se tranquilamente — disse Uthe e apontou para os pratos.

Ottilie Braunhauer pigarreou.

— Bem, eu gostei. O prato principal, não é muito gorduroso, porque o papaizinho não gosta de coisas gordurosas.

Karl-Adolf lançou um olhar afirmativo para sua esposa.

— Para meu gosto este prato aqui está tão adoravelmente muito bem preparado — disse ele empolado, com o qual ele queria aparentar seu falso intelecto inexistente.

Yasmin, que observava com nojo Bjordahl Sott enfiar o cérebro do animal na boca, estalando os lábios com prazer, percebeu Uthe cutucando sua salada de forma suspeita.

Quando ela notou o olhar questionador do comandante, colocou o garfo de lado e sorriu timidamente.

— Oh, eu só queria ver, se também havia um pouco de cérebro nela — esclareceu ela a roda de amigos.

Fatzer balançou a cabeça.

— Não, somente alguns vermes Muuhrt.

— Tudo bem, eu estou de jejum hoje.

Bjordahl Sott olhou com avidez para o prato de Uthe Scorbit, que compreendeu imediatamente e também passou a salada ao glutão.

— Eu já te contei sobre o meu dedo em martelo2? — perguntou Ottilie Braunhauer.

Apenas Remus Scorbit sabia o que estava por vir. Ottilie Braunhauer moveu a cadeira um pouco para trás e tirou seu sapato. Ela mostrou a todos seu dedo do pé atrofiado, a quem queria vê-lo ou não.

Agora Remus Scorbit e Johnny Andrews também perderam o apetite. Uthe tomou a iniciativa e agarrou Yasmin pela mão.

— Nós vamos fazer algumas compras. Obrigado pelo jantar, capitão.

Espantado, Remus olhou atrás de sua esposa e cogitou se ele poderia encontrar uma desculpa.

— Jonathan, o que você acha se passássemos um tempo no bar tomando uma bebida?

— Por mim até duas — disse Andrews, enquanto ouvia as histórias da aposentada, cuja voz se tornava mais lenta, quanto mais ela bebia vurguzz3.

Remus Scorbit e Jonathan Andrews sentaram-se no bar e pediram um uísque para a garçonete. Jonathan ficou imediatamente fascinado pela pitoresca terrana que possuía longos cabelos loiros até na altura dos ombros e um rosto impressionante. Os dois passaram várias horas no bar, antes que eles decidiram terminar a noite no planador vermelho de Andrews. Eles cambalearam para o compartimento de carga, onde eles esvaziaram as garrafas restantes, ouvindo música alta até a madrugada.

 

Capítulo 2

A espaçonave misteriosa

 

Harold Fatzar tinha acabado de levantar. Como todas as manhãs, ele achou que era muito cedo. Contra a vontade o terrano arrastou-se para a central de comando, onde o blue e o tópsida já estavam trabalhando.

— Capitão, há algo — disse Zypuelue, apontando para a tela do localizador. Fatzar, vestindo apenas uma camiseta e uma calça, arrastou os pés até o blue e olhou para o objeto na tela.

— O que é isso? — perguntou ele, sorvendo sua xícara de café.

— Eu diria que é uma espaçonave alienígena. A forma trapezoidal ainda não é conhecida por nós. Portanto, é alienígena — esclareceu o gatasense.

— E então?

— Ela permanece no lugar. Não detectamos sinal de vida, não recebemos nenhum contato de radiocomunicação. Ela não ativou nenhum campo defensivo.

Harold coçou a cabeça e bocejou alto, com isso novamente a ponta do cigarro caiu em sua bebida.

— Então, um navio fantasma. Você acha que há algo valioso para pegar?

— Talvez...

O terrano olhou para o tópsida, que se mantivera fora da discussão até então.

— Verificar — sugeriu Gavron Yark.

Fatzar pensou por um momento, então ele fez o propulsor parar abruptamente. Ele pegou o intercomunicador e passou uma mensagem para os passageiros: — Senhoras e senhores, nós faremos uma parada não programada. Não há necessidade de pânico. Ao meio-dia, estaremos na estrada outra vez, obrigado!

Ele pediu ao blue as coordenadas atuais. Assim ele queria calcular quanto tempo eles tinham.

— As coordenadas atuais são... eh. Bem, deve haver algum engano.

— Isso é um disparate. Rede!

— Nós estamos em algum lugar entre a Via Láctea e Andrômeda.

 

*

 

Remus Scorbit ouviu a mensagem, meio adormecido. Laboriosamente ele abriu as pálpebras pesadas e olhou ao redor da cabine. Ele descobriu que sua esposa não estava em lugar nenhum. Depois de um tempo, ele conseguiu se sentar e sair da cama. O crânio resmungou poderosamente e uma sensação de enjoo no estômago começou a se espalhar.

— Eu não devia ter bebido cerveja... — murmurou a terrano para si mesmo e dirigiu-se para o banheiro.

Ao longo do caminho ele encontrou sobre a cômoda uma mensagem de Uthe. Ela estava na seção de entretenimento da nave e lá parecia desfrutar de um banho de sol sob um pequeno sol artificial.

A campainha da porta tocou. Remus não se atreveu a abri-la porque eram provavelmente os Braunhauer. Mais uma vez o som cantarolou. O visitante não parecia querer soltá-la.

— Já estou indo — gritou ele e abriu a porta. O visitante era Jonathan Andrews.

— Bom dia, você ouviu o anúncio do comandante? Muito estranho, não é? — iniciou Jonathan bruscamente.

Remus estava claramente intrigado, como o jovem terrano estava tão bem, embora tivesse bebido tanto quanto ele próprio.

— Dormiu bem? — perguntou Andrews gentilmente e entrou na cabine.

Remus apenas murmurou alto e balançou a cabeça, o que lhe causou dor novamente.

Andrews riu.

— Eu tive uma boa noite. Eu me deixei seduzir por Yessica. Mas para ser honesto, eu já me arrependi novamente. Ela não representa realmente nada para mim.

— Então...

Remus arrastou os pés para a cozinha à procura de uma bebida refrescante. Ele remexeu na geladeira e encontrou uma garrafa de suco de laranja. Então ele pensou novamente sobre as palavras de Jonathan Andrews.

— O que quer dizer com isso? Talvez algo não esteja em ordem com a nave, ou estamos sendo sequestrados por um mascant arcônida louco — refletiu Remus tomando seu copo do suco que gostava muito.

Andrews acenou.

— Não, pelo contrário, eu acho que a espaçonave desconhecida, que passou com velocidade muito baixa por nos, é a responsável por nossa parada.

— Como você sabe disso?

— Desde a parada, a TEBAS ajustou sua velocidade a da espaçonave.

Remus acenou lentamente com a cabeça.

— O que vamos fazer agora?

— Nós iremos até esse Fatzer e conversaremos com ele sobre isso. Eu estou ardentemente interessado para saber o que é esta espaçonave — disse Andrews e já estava no corredor fora da cabine.

Scorbit vestiu algo rapidamente e correu atrás de seu amigo, que caminhava com passos largos para a central de comando.

 

*

 

Na central de comando Fatzer, Yak e Zypuelue estavam ocupados em organizar o equipamento para a visita à espaçonave trapezoide.

— Espere um minuto! Nós sabemos que você quer ir à espaçonave. Você não precisa negar isso — iniciou Andrews confiante.

Os três membros da tripulação da TEBAS pareciam confusos.

— Você disse que ninguém ficaria sabendo dessa coisa — vociferou o juelziish, confirmando a teoria de Andrews.

Fatzer gostaria de torcer no pescoço fino de seu localizador. Mas, em vez disso, ele se recompôs e voltou-se para os dois hóspedes não convidados indesejados.

— O que vocês querem?

— Alguém fez contato de rádio com esta espaçonave? — perguntou Remus e observou a espaçonave na tela de localização. Parecia estranhamente conhecida.

— Não, por que também? Ela também não fez contato pelo rádio. Nós não localizamos nenhuma forma de vida — explicou Fatzar indiferente.

— Talvez devêssemos tentar isso? — sugeriu Andrews.

Mas com isso ele só encontrou relutância pelo comandante. Aparentemente, a tripulação tinha a esperança de ser uma nave abandonada, para poder enriquecer com os pertences da tripulação. Uma vez que eles estavam abordando uma bela nave. Andrews prometeu-se, que da próxima vez pagaria um pouco mais por um cruzeiro.

— Nós devemos continuar rapidamente no nosso caminho para Olimpo. Agora eu sei onde eu já vi essa espaçonave. Os casaros utilizam esses tipos de construção — disse Remus.

Mas ninguém, exceto Andrews, parecia estar um pouco interessado. Andrews sabia que este povo misterioso, em uma dobra de espaço-tempo, provavelmente sequestrou e observou Joak Cascal e Vivier Bontainer, assim como um grande número de terranos e de diferentes épocas. A dobra espaço-tempo tinha sido destruída há alguns meses. Talvez essa fosse uma nave de resgate?

— Será que uma espaçonave desses seres serpentes ficou sem tripulação, quando a dobra espaço-tempo foi destruída? — Andrews expressou seu palpite em voz alta.

Mas Remus balançou a cabeça.

— E, em seguida, naturalmente por pura coincidência, ela viaja todo o caminho de volta para a Via Láctea? — objetou Remus

— Nós já não nos encontramos na Via Láctea — disse Yark secamente.

— O quê? — expressaram Andrews e Scorbit simultaneamente.

Fatzar se sentiu obrigado a responder.

— Porque nós ainda não sabemos. Mas é provável que fomos transportados durante a noite para o espaço vazio entre Andrômeda e Via Láctea.

— Então, voltaremos a toda velocidade. Nós devemos evitar essa espaçonave. Os casaros...

— Sim, tudo bem. Vocês querem ou não? Nós vamos agora — decidiu Fatzar.

Remus olhou para Jonathan enquanto dizia.

— Eu não estou gostando disso. Mas talvez possamos evitar uma calamidade mais grave, se formos juntos — disse Scorbit.

Andrews concordou. Em companhia dos três tripulantes da TEBAS eles fizeram o caminho para o space-jet e voaram para o objeto voador não identificado que, provavelmente, era uma espaçonave dos casaros.

 

Capítulo 3

Perigos à espreita no desconhecido

 

O space-jet dirigiu-se lentamente em direção à espaçonave. A tripulação localizou uma eclusa. Embora não fosse compatível com as fechaduras normais, mas pela ação de campos de energia e energia de forma podiam atracar.

Gavron Yark apanhou cinco armas térmicas de um armário e as distribuiu entre os membros das equipes de reconhecimento.

— É melhor prevenir do que remediar, não sabemos o que espera por nós na estação — esclareceu o tópsida enquanto engatilhava a arma.

— Sim, nós sabemos. Casaros! — deixou claro Remus.

O que ele estava fazendo aqui? Por que precisamente a TEBAS foi transportada de repente para perto de uma espaçonave dos casaros? Isso poderia ser uma coincidência. Talvez a melhor solução fosse deixar os três idiotas para serem mortos pelos casaros e partir o mais rápido possível com a TEBAS. Mas que chance eles tinham? Se os casaros quisessem matá-los, já teriam feito isso. Sua tecnologia era muito superior à dos terranos. De qualquer forma, certamente a tecnologia da TEBAS era sucata.

Talvez eles estivessem procurando novos objetos de pesquisa? Provavelmente os psicólogos casaros teriam um monte de diversão com sua esposa Uthe e também com sua amiga do peito Yasmin. Remus não sabia se ele deveria ficar temeroso diante disso. Diante do que aconteceria se ele voltasse de bordo da espaçonave dos casaros ou o sermão de sua esposa.

Caso ele voltasse novamente...

A escotilha se abriu e Fatzar saiu primeiro. Ele ativou o localizador e o projetor luminoso do SERUN. O microgravitador do traje espacial compensou a baixa gravidade da estranha espaçonave. O segundo a sair foi Gavron Yark, então Scorbit e Andrews. O juelziish Zypuelue foi o último a sair.

— Chefe, que tal se considerássemos em deixar esta coisa? Eu acho isso aqui tudo muito assustador...

— Cale a boca — rosnou Fatzer de volta e caminhou com passo firme pelo corredor. Gavron Yark segurava sua arma pronta a disparar. A porta da sala ao lado estava trancada.

Yark apontou para a caixa de controle, mas Andrews impediu que o tópsida atirasse. Em vez disso, ele apanhou um par de chaves de fenda e cartões magnéticos do bolso e abriu a caixa de controle. Scorbit o ajudou nisso e em pouco tempo eles foram capazes de abrir o portão.

Andrews deu um sorriso largo para o tópsida e disse. — Nós devemos prosseguir usando um pouco mais os cérebros.

— Agora continuem — gritou Fatzer e correu através da entrada.

Depois que o grupo de reconhecimento na ala da eclusa, a escotilha externa se fechou automaticamente. Por conseguinte, outra escotilha que levava a uma câmara adicional se abriu. Esta foi preenchida com ar. Este era, pelo menos de acordo com as informações das picossintrônicas, respirável. No entanto, nenhum deles se atreveu a abrir o capacete dobrável.

Jonathan finalmente foi o primeiro a ter coragem de desligar a projeção do capacete. Então foi seguido por Yark, Scorbit e Fatzar. Apenas Zypuelue manteve o seu ainda fechado.

A espaçonave parecia sombria e deserta. As paredes eram negras e estavam cobertas com biomassa velha e podre, os corredores pareciam escuros e sinistros.

— Pelo que eu vi na LONDON II. Só havia matéria orgânica fresca — disse Scorbit.

Os cinco finalmente alcançaram uma grande sala, que provavelmente representava algo como uma central de comando. Jonathan Andrews tentou se familiarizar com o equipamento. Ele, no entanto, não era um cientista, mas tinha uma perícia técnica acima da média. A sala era circular. No meio, havia alguns consoles, aparentemente, consoles de controle. Diretamente na frente deles havia um grande monitor, no lado direto havia outro corredor para uma sala lateral. A sala cintilava de azul. Yark e Fatzar se arrastaram lentamente pelo corredor e iluminaram a sala.

— Vocês precisam ver isso — gritou ele para os outros que o seguiram prontamente.

Andrews, Scorbit e Zypuelue ficaram sem palavras. Primeiro eles viram o campo de energia, que brilhava azul-escuro, em seguida, os corpos de três criaturas reptilianas que Scorbit identificou claramente como casaros. Por fim dirigiram o olhar para o interior do campo de energia.

— Um halutense — disse Scorbit surpreso.

— É mais provável que seja o corpo de um halutense — acrescentou Jonathan e aproximam-se do campo de energia. As três pálpebras do gigante de pele negra de 3,50 metros de altura estavam fechadas. Os quatro braços estavam estendidos ao longo do corpo. O traje de combate vermelho estava queimado e rasgado em alguns lugares, o que indicava uma luta.

— Vasculhem o local atentamente — disse Fatzer e olhou ao redor da sala.

De fato, aqui também podem ser detectados sinais de luta. Na outra extremidade do quarto havia uma grande abertura.

Enquanto Zypuelue voltava novamente para a central de comando, os outros quatro passaram pela abertura e descobriu uma grande câmara.

Nesta câmara alguns dispositivos que estavam ligados a recipientes de dois metros de altura ainda estavam funcionando. Andrews se aproximou. A maioria dos corpos humanoides estava em estado de decomposição.

— Que diabos é isso? — murmurou Jonathan, olhando uma câmara após a outra. Todas apresentavam a mesma imagem.

— Presumivelmente, os primeiros estão mortos desde julho deste ano e os mais recentes foram morrendo pouco a pouco — constatou Scorbit deprimido.

— Aqui, estes aqui ainda estão intactos — gritou Gavron.

Os outros imediatamente correram para o tópsida que estava parado na frente de uma câmara, na qual o dispositivo ainda parecia funcionar.

— Mas também já está com a aparência levemente deteriorada — disse Jonathan Andrews, quando viu o velho homem diante dele. Ele estava vestido como se estivesse indo a um baile à fantasia. A camisa branca com babados decorados, com um casaco vermelho com botões dourados por cima. As calças eram pretas. As meias brancas estendiam-se até os joelhos. Sapatos finos com uma fivela de ouro arredondada completavam a imagem de um nobre há muito tempo esquecido.

Andrews lembrou-se dos velhos filmes históricos. Ou documentários sobre Michael, o filho de Perry Rhodan e ex-livre-mercador de Olimpo. Este homem também parecia estar em estase.

— O que fazemos com ele? — quis saber Gavron.

— Há duas possibilidades, ou nós despertamos a criatura, ou levamos o recipiente — disse Andrews, procurando por algum interruptor, mas não teve sucesso.

— Isso está fora de questão! Vamos deixar o cara aqui. O que podemos fazer com ele?

Fatzer estava furioso. Ele provavelmente esperava muito mais, talvez um tesouro, mas até agora ele só tinha encontrado cadáveres e um antigo terrano.

— Este homem ainda está vivo. Nós não podemos deixá-lo aqui. Uma hora, a reserva de energia dos dispositivos se esgotara, então ele morrerá!

Harold acendeu um de seus cigarros amados e deu uma longa tragada. Então, ele acenou com a cabeça em silêncio. Andrews começou a trabalhar imediatamente. Ele correu de volta para a central de comando tentando encontrar ali um console de controle para as câmaras.

— Ei, pessoal, eu encontrei algo! — gritou Zypuelue.

Imediatamente Fatzer e Quark correram para o blue, que tinha encontrado algo em outro quarto adjacente.

Os olhos do capitão se iluminaram quando viu muito ouro, prata e muitos diamantes. Um assobio de entusiasmo ecoou pelo vasto salão.

Esta riqueza veio de muitas épocas da história dos terranos. Provavelmente quando os casaros sequestraram os terranos, também levaram alguns materiais valiosos do período. O valor das moedas de ouro e prata, joias e diamantes devem estar na casa dos bilhões.

— Nós não conseguiremos colocar tudo isso no space-jet. Gavron e Zypuelue retornem à TEBAS e ancorem com ela na espaçonave. E digam aos passageiros que estamos realizando estudos científicos aqui.

Finalmente o sonho de Harold Fatzar tinha se tornado realidade. Logo ele seria um homem rico. Ele não precisaria mais de mulheres virtuais formadas de energia, mas poderia pagar por mulheres reais enquanto deitava nas praias brancas de Hendro-Luxux e derramaria licor de vurguzz em si mesmo.

Scorbit, pelo contrário, olhou para o cadáver do halutense. Algo nele parecia estranho, mas ele não sabia exatamente o quê era. Isso era apenas um mau pressentimento.

Capítulo 4

O marquês de Siniestro

 

Dois cientistas que estavam propriamente a caminho de Olimpo para uma conferência e o médico da nave foram trazidos para a nave dos casaros, enquanto Gavron e Zypuelue transportavam secretamente o tesouro encontrado para a TEBAS. Mais uma vez Fatzar acalmou os passageiros pelo intercomunicador e informou Uthe Scorbit, por uma mensagem escrita, que seu marido estava a bordo da nave dos casaros. No entanto, ele ocultou tanto de sua tripulação, quanto dos passageiros a descoberta do tesouro. Quanto menos eles soubessem melhor.

Para Remus Scorbit e Jonathan Andrews foi prometida uma quota de dez por cento, então eles ficaram em silêncio. Ambos não sabiam se eles cumpririam o acordo, contudo também não queriam perder a quota prometida.

Remus ficaria bem de vida e poderia satisfazer todos os desejos de Uthe e Jonathan poderia finalmente comprar o seu sonhado planador. Mas ambos estavam atormentados pelas perguntas sem respostas sobre a nave dos casaros. Enquanto isso, os cientistas encontraram quatro câmaras intactas.

Todas eram muito velhas, especialmente a primeira descoberta. O médico da nave, Doutor Wallik, um plofosense corpulento de cabelos grisalhos, investigou as câmaras de estase e fez alguns testes. Impaciente Jonathan perguntou sobre o estado das investigações.

— Agora estou certo de que podemos abrir as câmaras. Não haverá nenhum problema para resgatar essas pessoas — esclareceu o cientista.

Andrews disse em voz alta por entre os dentes.

— Doc, comece.

— Certamente, mas para isso eu preciso estar na central de comando. Lá deve haver um mecanismo para a desativação das câmaras.

Imediatamente os três médicos invadiram as instalações e tentaram encontrar a chave certa. Eles passaram a frente dos dois terranos como pequenas crianças, quando eles manipulavam os dispositivos com olhos radiantes e com intenso entusiasmo observavam e discutiam os resultados.

De repente, um dos cientistas gritou.

— Eu encontrei o interruptor — gritou ele e pressionou furiosamente nas teclas ao redor.

— Venha aqui depressa. Algo está acontecendo — exclamou Fatzer pelo intercomunicador do space-jet.

Scorbit, Andrews e os três cientistas correram de volta para a espaçonave. Pelo monitor, viram um portal de energia circular se formando por trás da TEBAS. Ele tinha um diâmetro de 280 metros e estava se movendo em direção à TEBAS. Por fim ele encobriu a TEBAS e a nave desapareceu no turbilhão roxo desconhecido.

Simplesmente desapareceram!

— O quê? Onde? — gaguejou Harold Fatzer, atordoado.

Scorbit e Andrews também não podia acreditar no que tinha acontecido.

Um portal redondo flutuava agora diante da espaçonave dos casaros, sem se mover.

— Para onde ela foi? — quis saber Andrews e sacudiu Wallik pelos ombros.

— Eu não sei. Talvez seja um transmissor que irradiou ela. Eu estou tentando determinar as coordenadas.

— Depressa!

— Nada!

Isso é um transmissor. Isso me parece um portal estelar. Quando nós fomos transportados pela dobra espaço-tempo, eu não vi nada parecido — resumiu Scorbit.

— Isso significa que agora a TEBAS se encontra em uma dobra espaço-tempo? — perguntou Andrews.

— Eu não sei.

Os homens voltaram para as câmaras de estase e tentaram digerir sua surpresa.

De repente, as câmaras de estase e o campo de energia ao redor do corpo do halutense entraram em colapso.

Os três terranos correram para as câmaras e viram quatro humanos se mexerem lentamente.

O robô médico cuidou imediatamente dos quatro terranos e deu-lhes medicamentos estabilizadores.

— Doc, o que aconteceu com a TEBAS? — gritou Jonathan Andrews através da sala.

— Não posso fazer nada. Se isso for um portal, nós precisaremos passar...

— Que maravilha!

— Nós precisamos arriscar. Minha esposa está na TEBAS. Talvez ela esteja em perigo — disse Scorbit sério.

Andrews concordou incondicionalmente com seu amigo e começou a arrumar seu equipamento, mas Harold Fatzar tinha algumas objeções. Primeiro ele queria carregar um pouco de ouro no space-jet, em seguida, voaria para a Terra e informaria o governo sobre o incidente. De qualquer forma, o ganancioso terrano não estava disposto a colocar em risco sua vida.

Mas o Doutor Wallik aconselhou cautela. Primeiro, ele queria descobrir mais sobre a espaçonave dos casaros. Podia ser também que o transmissor ou este portal levava a um sol ou ao espaço vazio, longe da Via Láctea ou de qualquer outro ponto civilizado do Universo. Wallik acalentava a suspeita de que este portal foi ativado pela espaçonave. Remus, no entanto, tinha suas dúvidas, porque naquele momento outras forças tinham sido responsáveis pelo seu transporte na dobra espaço-tempo.

Um dos robôs médicos interrompeu sua consulta.

— Senhor, os quatro terranos estão conscientes e querem falar com você.

— Eles disseram alguma coisa? — perguntou Andrews.

— Esse é o problema, não podemos identificar o idioma.

 

*

 

Andrews e Scorbit olharam surpresos e entraram na sala com as câmaras. Lá, havia quatro cadeiras de energia moldada que foram colocadas provisoriamente. Uma das pessoas, o velho, que tinha sido descoberto por primeiro já estava em pé. Seu rosto estava enrugado e afundado. Longos cabelos brancos pendurados como da cabeça de um morto. Jonathan imaginou que assim seria a aparência de um portador de ativador celular que o tivesse perdido um pouco antes de sua morte.

— ¿Dónde estoy? — perguntou o terrano em um idioma que não era conhecido pelos humanos da NCG.

— O que você quer?

— ¿Dónde estoy? ¿Quién sois?

— Uh ...?

Andrews olhou interrogativamente para o outro, mas ele também comentou as palavras apenas com um impotente encolher de ombros.

Remus virou-se para o velho.

— Você não fala em intercosmo?

— ¿Qué es intercosmo? — resmungou o terrano do passado, se tomarmos o vestuário antigo como base.

Scorbit suspirou alto, estava tão perplexo quanto os outros. O velho caminhou em torno da sala, olhando para as instalações. Ele estava visivelmente impressionado.

— ¡Qué castillo impresionante! ¿Sois ingleses, franceses, ou alemanes?

Jonathan balançou somente a cabeça.

— Eu não entendi uma palavra do jargão — rosnou Fatzer com raiva, correu até o velho e agarrou-o pelo colarinho.

— Fale em intercosmo, seu saco velho!

Andrews e Scorbit arrancaram o comandante da TEBAS que se agarrava ao pescoço do velho, que, no entanto, permaneceu bravo e destemido a frente de Fatzar e o olhava com raiva.

— No arriesga de tocarme! No sabeis quién soy yo? Soy el Marquês Dom Philippe Alfonso Jaime de la provincia española Siniestro.

— Vá buscar um tradutor — gritou Fatzer para o Doutor Wallik, que correu para a outra sala e trouxe um tradutor universal consigo.

Um dos robôs médicos repetiu as palavras e, com isso, forneceu informações suficientes ao tradutor. O dispositivo foi capaz de reconhecer que o idioma desconhecido era o espanhol, falado pelos antigos terranos.

— Não se atreva a me tocar! Você não sabe quem eu sou? Eu sou o marquês Dom Philippe Alfonso Jaime de la Siniestro, um espanhol — verteu o tradutor impecavelmente4.

Andrews e Scorbit se apresentaram, mas tinha que ser cuidadosos. Para o espanhol isso certamente foi um choque, onde e, especialmente, quando ele estava. Eles puderam descobrir que o marquês de Siniestro tinha sido um mercador influente na Espanha.

A data de seu nascimento chocou os terranos: 13 de janeiro de 1761 do velho calendário terrano. Este homem era mais velho que Homer G. Adams! Ele tinha nascido 210 anos antes do voo de Rhodan para a lua. De la Siniestro era de uma família nobre, que tinha propriedades na Espanha e América, as quais lhes trouxeram grande riqueza. O marquês, informou ele, tinha permanecido os últimos anos em reclusão na sua propriedade rural. Ele não sabia nada sobre seus sequestradores.

Gentilmente Andrews e Scorbit esclareceram ao velho espanhol do século 18, que ele se encontrava no ano 1290 do Novo Calendário Galáctico e muita coisa mudou.

Obviamente ele não sabia a hora exata de sua abdução pelos casaros, mas presumivelmente o velho do passado da Terra precisaria digerir o choque, de que ele estava 3.100 anos no futuro.

O nobre europeu não sabia nada sobre viagens espaciais, povos extraterrestres, nem mesmo eletricidade e veículos.

Ele viveu em um tempo que a Revolução Francesa estava no auge e a Europa começava a mudar. Seu país, a Espanha, testemunhou os benefícios e as desvantagens da era napoleônica, mas neste período perdeu muito do seu antigo poder, apesar de melhorias, tais como a abolição da Inquisição.

O tradutor verteu tudo em espanhol. O fidalgo dos tempos passados parecia bem tranquilo.

— O marquês encontra-se, portanto, no ano de nosso senhor de 4.878? Ele foi sequestrado por criaturas que não eram originárias da terra e permaneceu vivo em uma caixa mágica por milhares de anos?

— Certo — concordou Jonathan Andrews.

— Se a Santa Inquisição ainda existisse, todos vocês teriam que suportar o doloroso interrogatório, señores! No entanto, ele vê essas maravilhas magníficas com os próprios olhos. Ele deve, portanto, estar em uma nave celestial?

Andrews acenou com a cabeça.

— A bordo de nossa espaçonave há um dispositivo que transmite o conhecimento. Talvez possamos usar nele? — sugeriu Scorbit.

— Hipnotreinamento? Isso poderia exigir demais dele — objetou Andrews.

— Ele me causa uma forte impressão — disse Scorbit.

— Então, senhores! Ele estaria pronto para receber uma sabedoria aparentemente divina.

Andrews e Scorbit lançaram um olhar para Harold Fatzer. Afinal de contas, ele era o comandante do space-jet.

— O que faremos agora com ele? Vocês realmente não quer levá-lo conosco? — perguntou Fatzar e lançou um olhar de descrédito para o velho.

— Sim, nós o levaremos conosco, e mais? Nós também cuidaremos dos outros três — disse Andrews.

Ele correu para os três homens que agora também tinham recuperado os sentidos. Estes falavam alemão, o que não representou nenhum problema para o tradutor. As três figuras estranhas se apresentaram. O primeiro era um homem de meia-idade, tinha barba e uma barriga de cerveja. Ele se apresentou como o berlinense Reinhard Katschmareck, que nasceu no ano de 1932.

O próximo era muito pequeno, quase um anão. Este homem, também, veio da Alemanha e foi primo de “Reini” Werner Niesewitz.

O terceiro membro quase se assemelhava ao marquês. As bolsas dos olhos quase chegavam à ponta do nariz e os olhos estavam vermelhos. O alemão Eberhard Wieber nasceu em 1921 e passou sua vida no serviço militar.

Os três contaram uma história semelhante a que tinha ouvido o marquês de Siniestro contar. Todos os três estavam sentados com um copo de cerveja, quando de repente estavam em um quarto vazio e, logo em seguida, foram atordoados.

— Könnt’n wa vielleicht hier’n Bier kriegen tun?5 — quis saber Reinhard Katschmareck usando um dialeto estranho.

— Então o que faremos com essas quatro figuras estranhas? — indagou também Remus Scorbit, que estava ficando impaciente.

Andrews cresceu lentamente no papel de líder, o que ele sentia era muito incomum, mas também fez dele de alguma forma orgulhoso.

— Eu acho que nós administraremos a todos um hipnotreinamento no space-jet, então decidiremos se seguiremos a TEBAS pelo transmissor. Em todo caso, nós enviaremos uma mensagem de rádio. Fatzar Gavron e Zypuelue vão com o marquês, Katschmareck, Wieber e Niesewitz para o space-jet. Doutor Wallik e seus dois assistentes ficaram aqui.

Andrews pronunciou claramente de forma que foi aceito por todos, sem objeção. Remus Scorbit estava muito preocupado com sua esposa Uthe. Ele esperava que nada tivesse acontecido com ela. Enquanto a terrano passava pelo halutense, pela primeira vez a protuberância branca, semelhante a um verme, ao redor do pescoço dos gigantes chamou-lhe a atenção.

Ele suspeitou que este fosse um tipo de controle de segurança dos casaros para mantê-lo sob controle.

*

 

O marquês foi o que aprendeu mais rápido de todos. Ele assimilou o hipnotreinamento sem problemas. Werner Niesewitz também parecia se dar bem na nova era.

Se não fosse pela preocupação com a própria sobrevivência e a da TEBAS, Remus e Jonathan poderiam filosofar por horas com os três terranos idosos mas, como estavam,  eles perguntaram primeiro o básico.

Eles suspeitavam que o marquês tivesse sido raptado em 1830 ou 1840. Portanto, de uma forma ou de outra, com 80 anos ele já era bem velho quando foi raptado. Evidentemente, Niesewitz, Katschmareck e Wieber tinham sido sequestrados em 1984, porque não tinham conhecimento dos eventos que ocorreram mais tarde. Todos os quatro terranos viveram durante esse tempo na sala de holograma do mundo de teste e foram observados pelos casaros. Com certeza, eles provavelmente foram colocados novamente em um sono profundo. Portanto, seu destino era semelhante ao da tripulação da VIVIER BONTAINER, de Joak Cascal e Sandal Tolk.

— Se eu fosse resumir isso, nós passamos quase 3.000 anos em sono profundo, mas o que faz esse Rhodan ainda viver? — disse ele com sotaque berlinense.

Andrews confirmou a teoria de Reinhard Katschmarek. Primeiro o alemão olhou pensativamente para o chão, então ele sorriu amplamente.

— Cara, então, eu já estou sob a terra mais tempo que a minha vovó Doroteia! Devemos festejar isso! — disse ele com sotaque berlinense.

Andrews balançou a cabeça, irritado.

Os três com a mente estranha exigiam agora algo para comer e beber, a melhor cerveja. Fatzar poderia satisfazer seus desejos sem problemas.

O marquês era mais introvertido. Ele observava os outros cuidadosamente e parecia aprender muito rapidamente. Ele estava ao lado de Jonathan Andrews e olhava para fora da janela do space-jet.

— Por alguns momentos ele se imaginou ainda em sua terra natal, a Espanha, agora ele olhava... ou eu, bem linguisticamente falando de acordo com esta era, a partir da janela, olho para o espaço infinito. Para qualquer outro em meu século isso aqui teria sido um choque de cultura.

— Por que não para você?

O marquês de la Siniestro esticou o rosto enrugado em um sorriso amável.

— Eu sou mais forte e mais inteligente do que os outros. Até mesmo me entusiasmo como um jovem herdeiro das obras de poetas iluminados, pensadores e cientistas. Eu vejo este sequestro como uma bênção, como uma determinação do Senhor. Esta nova era oferece muito mais perspectivas.

— Mas você não sente falta de mais ninguém de seu tempo marquês?

— Não, senhor Andrews! Minha amada esposa Isabella tinha morrido há muitos anos. Eu levava a vida solitária de um eremita em meu castelo e era desprezado pelos servos, mesmo que eu fosse sempre gentil com eles...

Havia um estranho tom velado na voz do espanhol, que Andrews foi incapaz de interpretar corretamente. Dom Philippe cruzou as mãos na frente da barriga e parecia apreciar a vista do Universo. Provavelmente ele era o único.

— Vocês estão em dificuldade señor Andrews?

Jonathan concordou.

— Não me escapou, qual é o problema aqui. Aparentemente você e seus amigos só encontraram por acaso esta nave e descobriram a mim e essas outras criaturas ingênuas. Sua nave desapareceu na névoa do espaço, por esse... transmissor, essa é a palavra correta?

— Sim.

— Bem, se não somos pessoas indispensáveis a bordo desta nave, eu imploro, que me leve agora para a Terra, señor Andrews.

O terrano rangeu os dentes e balançou a cabeça. O marquês torceu o nariz o que o fazia parecer ainda mais feio.

— Sinto muito, marquês, mas eu não posso levá-lo a Terra. Primeiro precisamos encontrar a TEBAS. Nós devemos isso às pessoas que estão a bordo. Precisamos salvá-las.

Dom Philippe torceu o rosto em um sorriso, Andrews não poderia dizer exatamente se era um sorriso resoluto ou um sorriso de desprezo e ironia.

— Seu altruísmo o honra, mas você não acha que essa generosidade para com estes humanos insignificantes não tem cabimento?

— Não! — respondeu Jonathan com raiva. — A Humanidade evoluiu um pouco desde o seu tempo. Nós ajudamos uns aos outros e respeitar cada vida. Nem todo mundo gosta dessa atitude, mas eu, de minha parte, não vou descansar até que tenhamos encontrado os passageiros de TEBAS, entendeu?

O marquês levantou as mãos.

— Eu não tive a intenção de ofendê-lo, señor. Devo-lhe uma grande dívida de gratidão, porque sem você eu ainda estaria naquela câmara. Portanto, eu vou apoiá-lo a encontrar seus companheiros, tão bem quanto possível.

— Obrigado, eu preciso de toda a ajuda.

Jonathan Andrews não tinha certeza do que fazer com o marquês Siniestro. Em todo caso, o homem saiu-se muito bem com as novas circunstâncias. Ele era muito inteligente, não devia se deixar enganar por suas dissuasivas externas. No entanto, Andrews aguardava febrilmente por novos resultados do Doutor Wallik. Ele esperava que o cientista relatasse em breve.

 

Capítulo 5

O despertar

 

Wallik tomava uma xícara de café e trabalhava com sua sintrônica portátil sobre o consoles dos casaros.

— Hanz, traga-me um pouco de café.

Seu colega caminhou pelo corredor com o halutense morto até a cabine onde eles haviam montado um pequeno acampamento, e arranjou mais da bebida preta para o seu amigo. Wallik estava ocupado, traduzindo as entradas do diário dos casaros.

O tradutor trabalhava a toda velocidade.

— Onde está o café? — gritou o cientista impaciente e olhou para os outros colegas, que dissecavam com precisão um dos corpos semideteriorados das câmaras. Wallik não recebeu nenhuma resposta dele, mas do tradutor. Ele agora poderia traduzir corretamente as palavras não compreendidas.

O texto era o seguinte: policial do tempo e os terranos embarcados. Dobra espaço-tempo instável. Fuga da dobra espaço-tempo.

Wallik engasgou. Ele verificou o tradutor, mas a tradução estava correta. Surpreso, ele acenou para o Allan D. Donalds, que só relutantemente abandonou suas investigações.

Donalds internalizou a primeira frase dos casaros. Ele, também, ficou bastante surpreso. A criatura chamava-se policial do tempo!

— Deus do céu. Isto significa que os casaros também sequestraram um dolan juntamente com o condicionado em segundo grau.

Wallik concordou em silêncio.

Na próxima gravação, os casaros relataram a destruição da dobra espaço-tempo e danos em um dos propulsores e nos sistemas de manutenção vital. Os casaros desativaram a maioria das câmaras e aparece que cometeram suicídio para proteger os terranos conservados.

As câmaras foram envolvidas por campos de energia. Em seguida, terminou a transmissão da última entrada de dados do diário.

— O que é que significa isto agora? — perguntou Donald inocentemente.

Wallik refletiu intensamente.

— Bem — murmurou ele e pediu alguns dados sobre o campo de energia. Ele ergueu as sobrancelhas quando descobriu o que tinham feito.

— Isso era um campo de estase, meu amigo. Aparentemente, ele devia ter sido definido apenas por um período específico, mas os seres serpentes pararam a contagem regressiva, por isso os campos permaneceram ativados até que a energia entrou em colapso — esclareceu o plofosense ao seu colega.

— Tudo bem, mas porque os casaros também colocaram o campo de estase em torno do policial do tempo morto. Mas só usariam isso, se eles quisessem que ele sobrevivesse por muito tempo...

Donalds já havia dado a resposta automaticamente. Assustados, os dois cientistas se olharam. Rapidamente Wallik reativou rapidamente o campo. Ele queria estar seguro.

— Espero que essa coisa não esteja viva — murmurou ele agitado.

— Hanz, onde está o café?

De repente, ouviram um grito alto. Primeiramente, ouviram o rompimento de uma peça de porcelana, em seguida, ossos sendo quebrados. Os gritos pararam. Os dois cientistas entreolharam-se, quando também perceberam o poderoso gigante perto deles. Os três olhos brilhavam em um vermelho ardente como fogo que não representava somente a energia da vida, mas também do ódio.

— Fora daqui — gritou Donalds e tentou correr em direção à saída, no entanto, o policial do tempo o agarrou e jogou-o contra a parede.

Arduamente, Donalds se recompôs. O gigante empinou-se em frente ao cientista e bufou alto. O suor escorria da testa de Donalds. As lágrimas corriam na face do terrano. O policial do tempo rosnou alto e bateu com dois dedos contra a cabeça do cientista, cuja cabeça foi literalmente disparada e chocou contra a parede.

Wallik quis fugir, mas o gigante colocou-se no caminho e quebrou as pernas do plofosense. Wallik mal podia ficar consciente pela dor. O condicionado em segundo grau agarrou-o e jogou-o no console.

— Fale, terrano, o que você fez comigo? Que arma é essa?

O tradutor pode traduzir a língua do centro facilmente.

— Não sei. Isso foi feito por um povo chamado casaro. Já... não existe mais nenhum condicionado em segundo grau e uleb há mais de 2.000 anos.

A besta-fera virou-se para Wallik e estreitou os olhos. O plofosense sabia que sua vida estava acabada. Com o braço de captura o policial do tempo levantou o cientista e pressionou-o contra o console, que imediatamente cedeu, como a coluna vertebral de Wallik.

 

Capítulo 6

A besta-fera

 

— Que diabos estão fazendo por tanto tempo? — perguntou-se Andrews, indignado.

— Quem você quer dizer? — perguntou Remus.

— Esse cientista chamado Wallik! Ele não devia escrever nenhuma tese, mas apenas verificar se poderíamos voar com aquela espaçonave através do portal.

Os dois comentavam visivelmente emocionados. Ao contrário dos três alemães do século 20, aparentemente, eles ainda não compreendiam bem a situação.

Jonathan tomou o interfone de Wallik e acionou o aparelho de comunicação, mas não recebeu resposta. Ele tentou mais duas vezes, então ele percebeu que algo podia estar errado. Andrews parecia preocupado.

— Há algo errado? — perguntou Dom Philippe de la Siniestro.

— Eu não sei. Você fica aqui enquanto Remus e eu vamos dar uma olhada.

Mal tinha falado essas palavras até ao fim e o terrano já estava fora da escotilha, correndo para a central de comando. Remus correu atrás dele igualmente rápido e manteve sua arma térmica pronta.

O que os dois encontram os deixou horrorizado. Os cientistas foram atacados. Jonathan chamou imediatamente Fatzar, Yark e o blue Zypuelue.

Ninguém podia explicar o que tinha acontecido. Os robôs médicos também foram destruídos. Mas o campo de força tinha sido reativado, mas o halutense não estava lá.

Agora os cinco sabiam que estavam lidando com um condicionado em segundo grau selvagem. Como esse estava vivo, eles não podiam explicar, mas no momento isso era irrelevante. A coisa mais importante no momento era provavelmente a sobrevivência.

— Nós precisamos sair daqui. Passar imediatamente com o space-jet pelo suposto portal — sugeriu Scorbit.

Andrews concordou com um aceno de cabeça e já estava a caminho, mas o tópsida Gavron Yark o deteve.

— O que é isso? — anuiu Andrews.

— Aqui nossos caminhos se separam. Nós precisamos de espaço no space-jet para o nosso ouro. Para o inferno com a TEBAS, para o inferno com essas quatro relíquias antigas no space-jet, para o inferno com a besta-fera e, particularmente, para o inferno com você — disse Harold Fatzar, determinado.

O ouro era mais importante para ele do que qualquer outra coisa, mas seus dois companheiros não eram diferentes.

Ele ordenou a Gavron quem mantivesse os dois sob controle, enquanto ele e Zypuelue retiravam o marquês e os três homens do século 20 do space-jet.

O tópsida colocou a arma térmica no cotovelo e apontou para a cabeça de Remus. Andrews queria saltar entre eles quando a besta-fera invadiu a sala e se ergueu na frente dos três. O tópsida recuou e agora apontava a arma para o policial do tempo, que, rugindo alto, permaneceu diante da criatura reptiliana.

— Fora! Saia! — gritou Yark desesperadamente e abriu fogo, o que pouco importou para o condicionado em segundo grau, porque ele endureceu seu exterior. Andrews e Scorbit sacaram suas armas e correram para a cabine que continha os recipientes de estase.

O tópsida não teve a menor chance. As rajadas de energia ricochetearam, a besta-fera apoiou-se nos braços de corrida e simplesmente correu para cima de Yark. O fim do primeiro-oficial da TEBAS estava selado.

— Merda, agora é a nossa vez — disse Andrews. Sua voz se apagou quando viu o policial do tempo dobrando a esquina em disparada.

— Vamos sair daqui — disse ele para Scorbit e correu apressado.

Os dois correram para uma sala adjacente e barricaram a porta. Banhados em suor, eles se encostaram à parede e suspiram de alívio. A besta-fera rompeu a outra parede, tentando pegar os dois com os braços. Remus e Jonathan correram pelo meio das pernas-colunas, direto para a central de comando. Quando perceberam que o monstro os perseguia, eles correram para o salão, no qual estava seu tesouro. Fatzar e Zypuelue estavam ali para transportar a carga seguinte na direção do space-jet.

— Corram! Corram! — gritou os dois e passaram correndo pelo terrano e o blue, que olharam atrás deles sem entender.

Fatzar tentou alcançar Yark, mas ele não podia mais falar com ele. O chão começou a vibrar, mais rápido e mais forte. O gatasense gritou e começou a atirar no besta-fera, no entanto, o policial do tempo agarrou o blue no braço, levantou-o e atirou-o contra a parede. Fatzar correu para o gatasense. Ele logo percebeu que Zypuelue não respirava.

Tão rápido quanto suas pernas podiam levá-lo, ele tentou escapar do monstro. No entanto, a besta-fera o agarrou com um poderoso salto e também o levantou. Com uma mão, ele agarrou os braços de Fatzar, com a outra, suas pernas. O policial do tempo dobrou o terrano até que ele se rompeu ao meio.

Furioso, ele andou com passos pesados pelos corredores. Remus e Jonathan foram capazes de se esconderem com sucesso. Ambos estavam mais do que nervosos. Nem Scorbit nem Andrews eram covardes, mas perante este monstro, o coração deles escorregava literalmente nas calças.

— O que... o que vamos fazer agora? — perguntou Remus hesitante.

— Voltar para o space-jet e atravessar o portal.

Os dois terranos passaram pela eclusa tão rápido quanto podiam e correram para o space-jet. O marquês estava esperando por eles.

— Eu estou contente que Fatzer ou o condicionado em segundo grau não passaram por ela — disse Andrews honestamente e deu um tapinha no ombro do velho espanhol.

— Onde estão os outros?

— Eles estão bêbados no canto e cantam canções estranhas.

Os dois teriam que cuidar disso sozinhos. Remus fechou a eclusa e começou a desancoragem, enquanto Andrews sentou-se nos controles de navegação. Antes que o condicionado em segundo grau pudesse se aproximar perigosamente deles, o space-jet já tinha partido. Há uma determinada distância, Andrews fez uma curva de 180 graus e dirigiu-se novamente para a nave trapezoide. Ele olhou para Remus, que imediatamente compreendeu e sentou-se junto aos controles do canhão MVAE — o único armamento do space-jet.

Dois tiros atingiram a espaçonave com os campos defensivos desativados. Em seguida, houve uma grande explosão. O perigo do condicionado em segundo grau tinha sido banido. Talvez ele fosse capaz de navegar com a espaçonave dos casaros e segui-los através do portal.

O space-jet voou através do portal estelar. O futuro dos terranos que estavam na espaçonave era incerto.

 

Capítulo 7

Um mundo estranho

 

O space-jet rematerializou perto de um planeta com paisagem escarpada, pobre e com pouca água. A nave estava a cerca de dois milhões de quilômetros do mundo. Atrás deles se encontravam as quatro estações do portal estelar. O túnel transmissor foi desativado logo após o space-jet ter deixado o portal. As quatro estações de energia pairavam à mesma distância em torno de um círculo.

Agora, pelo menos, sabiam que isso era um portal estelar, assim como os terranos do grupo local, Sagitário e Siom Som também sabiam. No entanto, eles não tinham consciência de que havia, aparentemente, também versões móveis dos mesmos.

Remus Scorbit acreditava ainda que podia haver uma conexão entre o voo na dobra de espaço-tempo há alguns meses e esta viagem. Provavelmente a mesma pessoa que estava atrás dela: o alyske. Mesmo que daquela vez não tivessem entrado em contato com eles, ainda assim Remus suspeitava que agora o jogo tinha um dedo dele. Da última vez, eles encontraram VIVIER BONTAINER e tinham trazido Joak Cascal e Sandal Tolk ao tempo normal. No entanto, muitos humanos tinham morrido lá, quando eles atacaram os casaros.

— Vejam um satélite — disse Werner Niesewitz, apontando para o pequeno aparelho espacial oval.

— Tão longe do planeta? Estranho — murmurou Jonathan Andrews.

Ai o satélite mudou de curso e dirigiu-se para o space-jet. Poucos momentos depois, o space-jet foi atingido por um único disparo do satélite.

— Reini, os russos estão chegando. Todos os homens nas trincheiras, guarnecer o canhão antiaéreo 8,8 — gritou o pequeno Werner Niesewitz com medo.

— Sim, sim... então é isso... — comentou Eberhard Wieber calmamente, enquanto Reinhard Katschmareck acompanhava a situação no monitor com a boca escancarada. O satélite mudou de curso novamente e dirigiu-se ao portal estelar.

— Fomos atingidos — disse Andrews.

Primeiro Jonathan teve alguns problemas com a navegação. No entanto, ele conseguiu levar o space-jet para a órbita do planeta e iniciar a manobra de pouso.

Remus sentou-se em frente aos controles de localização.

— O planeta tem uma atmosfera respirável — constatou Remus, depois que ele deixou a sintrônica de bordo realizar o rastreamento.

— Além disso, localizamos os sinais de rastreamento da TEBAS — acrescentou Remus com a voz vibrando.

— Então, vamos pousar perto dela. Mas não esperem nenhum pouso perfeito — declarou Jonathan.

Com razoável elegância a nave conseguiu pousar em um monte de areia, que, de fato, amorteceu a queda. À tripulação do space-jet saiu ilesa. Eles estavam a 23 quilômetros de distância da TEBAS.

— Que dia turbulento o Senhor me arranjou aqui — disse de la Siniestro, respirou fundo e se benzeu.

Andrews e Scorbit armaram-se e colocaram os SERUNs, para ir à TEBAS.

— Eu vou ficar com os outros — disse o marquês e sentou-se na cadeira de comando, porque ele poderia escolher, por sua própria conta, a melhor das hipóteses.

 

*

 

Este planeta era um local inóspito no Universo. Não havia praticamente nenhuma vegetação sob os raios quentes do sol azul. O chão era alternadamente composto de areia e rochas. No entanto, de qualquer maneira, os dois percorreriam a maior parte do caminho com os gravomódulos de seus SERUNs.

Depois de meia hora eles chegaram a TEBAS. Eles rapidamente procuraram as eclusas ou rachaduras na fuselagem, através do qual pudessem entrar no interior da nave. Quando eles finalmente foram capazes de penetrar através de um buraco na fuselagem da nave, encontraram apenas escombros, cinzas e alguns cadáveres carbonizados.

Onde antes havia o quarto dos Scorbits, havia agora uma grande pilha de escombros de metal. O rastreador individual não indicava nenhuma forma de vida. Eles encontraram alguns corpos, felizmente não eram nem Uthe nem de Yessica.

— O que faremos agora? — perguntou Remus, ansioso.

— Voltaremos ao space-jet e tentaremos localizar formas de vida humanas ou extraterrestres no planeta.

Assim que deram os primeiros passos, ouviram um grito lancinante que os deixou enraizados no local.

— De onde veio isso?

— Eu não faço ideia — disse Scorbit e apontou o rastreador em todas as direções. Na direção norte, ele oscilou, mostrando um grupo de seres vivos.

Sem hesitação, os dois correram apressadamente, na esperança de lá encontrarem seus familiares e amigos ilesos novamente.

 

*

 

O marquês vagou pela nave terrana e observou todos os detalhes cuidadosamente.

O marquês era um nobre, um homem de honra, com boas maneiras. Seus três companheiros, no entanto, não passavam de camponeses comuns para ele.

No entanto, Dom Philippe considerou gradualmente o que aconteceria com ele depois dessa aventura. Nessa idade, ele estava em risco. Graças ao hipnotreinamento ele sabia que havia meios de prolongamento da vida, no entanto, eram caros.

Havia ouro suficiente neste space-jet. Algum veio até mesmo de sua fortuna. Estes casaros não só haviam roubado seu próprio corpo, mas também seus pertences.

Dom Philippe Alfonso Jaime de la Siniestro refletiu sobre o passado, que até alguns dias atrás ele julgava como o presente. Lembrou-se de uma serva silenciosa. Ela era bonita. Uma delicada señorita espanhola. Mas ela negou-lhe seu amor e o esfaqueou. Apesar de tudo, aquela puta há muito havia apodrecido e provavelmente seus ossos estavam espalhados aos quatro ventos. Quem teria financiado o seu funeral?

O marquês se perguntou em que ano, ele provavelmente tinha sido sequestrado? Quando ele tinha sido atacado pela mulher era o ano de 1841. Após esse ataque, ele ficou muito doente e recebeu uma nova serva. Provavelmente, isso tinha sido obra dos casaros.

Na verdade, ele já tinha vivido mais de 80 anos em seu tempo. No ano de seu nascimento tinha estourado a Guerra dos Sete Anos. A dinastia Bourbon havia chegado ao fim, um evento crucial para a sua Espanha natal. Ele tinha testemunhado a queda e a subsequente ascensão da monarquia francesa.

Quando jovem, ele teve a honra de conhecer o envelhecido Frederick, rei da Prússia. Ele tinha encontrado grandes nomes da cultura, tais como Mozart, Beethoven, Goethe e Voltaire. Ele tinha se reunido com Napoleão Bonaparte e ofereceu-lhe alojamento por uma noite em seu castelo.

Ele, então, teve de assistir como o já doente Reino da Espanha perdeu cada vez mais importância. Como ele soube no hipnotreinamento, a Espanha nunca mais encontrou sua antiga grandeza e agora nada mais era do que um insignificante estado da Terra.

Os tempos haviam mudado. O que deveria fazer um nobre idoso do século 18 DC no século 13 NCG? Ir para um lar de idosos e esperar pela morte? Isso na verdade ele já tinha feito desde a morte de Isabella. Com melancolia la Siniestro recordou-se de sua linda e delicada mulher que morreu muito cedo de desgosto. Desde então, o marquês havia se retraído e já não deixava mais seu castelo.

13 de abril de 1817 foi o dia da morte de sua amada esposa. Ele nunca esqueceria esta data. Com sua morte, os tempos gloriosos chegaram ao fim. Que importância teria a grande guerra de Napoleão? Quando as coisas ficaram difíceis em 1813, Isabella e ele se mudaram para sua propriedade rural no México. Eles passaram bons momentos lá, mas Isabella provavelmente viu isso de forma diferente. Quando eles voltaram em 1815, ela tinha ficado doente com toda a miséria nas colônias e na Espanha. Por dois anos, ele cuidou de sua amada esposa, chegando a aliviá-la do fardo dos deveres conjugais, deixando-os a cargo de belas criadas. Mas Isabella faleceu, apesar de tudo.

Era 13 de abril de 1817. E a partir daquele momento tudo tinha se tornado tão insignificante para ele. Nada mais lhe agradava. Nenhum pato selvagem, nenhuma trufa, nenhuma carne de porco tinha sido capaz de satisfazê-lo. Nenhum vinho tinha acariciado seu paladar com felicidade. Nenhuma companhia lhe causou prazer. Durante longos 24 anos, ele se isolara em seu castelo até que aquela jovem o esfaqueara e, então, ele aparentemente foi sequestrado pelos casaros.

O porquê somente Deus sabia. Porque, aparentemente, seus captores já não mais existiam nestes locais do Universo. Ele não podia perguntar nada a eles.

De la Siniestro pensava em seu futuro — Quão longo ou curta ele seria. Este rapto e a libertação do cativeiro secreto desse povo serpente, os casaros, era um sinal de Deus Todo-Poderoso. De que ele devia usar esta oportunidade para uma nova vida. De la Siniestro pensou no ouro.

Para ele estava claro que alguns tentariam disputar sua fortuna, mas se ele fizesse algo, para despertar a compaixão, ficaria seguro. Primeiro, ele reconquistaria Siniestro, para então construir um novo principado, mas isso seria muito difícil, porque a Terra inteira estava unida. O Dom6 cogitou se ele talvez não devesse preferir colonizar um novo planeta?
Mas primeiro ele precisaria de servos que o apoiassem em sua intenção, bem como adquirir bens da vida7. Ele precisava de uma cozinheira, uma empregada doméstica, uma lavadeira, uma arrumadeira, um mordomo, jardineiro, faxineiro. Ele precisava de muitas pessoas.

Mas quem estava ali? Essas três figuras desoladas do século 20, que estavam além de uma idade de trabalho. Já que a seleção não era muito grande, ele se voltou para Werner Niesewitz. O pequeno alemão parecia ser o mais inteligente deles. Este Wieber era completamente indolente e Katschmareck era mudo como uma pedra em Sierra Nevada.

— Ouçam-me, señor. Eu sou um marquês, um homem influente, com uma grande fortuna.

O pequeno terrano imediatamente aguçou os ouvidos.

— Mas eu também preciso de seguidores neste século, sirvam-me. Naturalmente, vocês serão bem pagos — continuou explicando o Dom.

Agora Reinhard Katschmarek e Eberhard Wieber também prestaram atenção na conversa.

— E a sua escolha recaiu sobre nós? — indagou Niesewitz.

“Que escolha me resta?”, pensou o espanhol do século XVIII.

— Si, señor! Naturalmente, vocês serão recompensados por seus serviços. Aqui está um adiantamento.

O marquês impressionou Niesewitz com três pepitas de ouro na mão, que ele havia apanhado na câmara. Por razões de segurança Dom Philippe tinha isolado a área. Aparentemente os três não tinham conhecimento do achado, que o capitão da TEBAS e seu pessoal tinha feito.

Com os olhos brilhando, os três olharam para o metal brilhante. Niesewitz sorria de orelha a orelha.

— Nós aceitamos sua oferta de bom grado, senhor!

De repente, o space-jet foi sacudido. O marquês correu, tão rapidamente quanto seus velhos ossos permitiam, para a central de comando e olhou para fora da cúpula. Assustado, ele se afastou quando viu uma aranha gigante tentando penetrar na fuselagem. O monstro era tão grande quanto o tamanho do space-jet.

A espaçonave foi sacudida novamente.

O Dom ordenou a sintrônica de bordo para tomar contramedidas. Imediatamente o campo defensivo se ergueu e afugentou a aranha. Ele gostou desta máquina. Ela era inteligente e mais eficaz do que uma dúzia de oficiais. Talvez o marquês devesse escolher seres robôs como servos. Se eles não fossem comidos pela aranha gigante. Mas ele sabia pelo hipnotreinamento que o campo de energia impedia qualquer matéria de entrar.

Exausto o espanhol sentou na cadeira de comando.

— Nós estamos perdidos! Este ônibus espacial não é mais capaz de partir e este planeta é o inferno — soluçou Katschmareck.

— É isso mesmo... — disse Wieber como de costume.

O velho espanhol tomou uma decisão.

— Sintrônica, envie uma chamada de emergência para a vastidão do espaço. Em todas as frequências e em todas as línguas conhecidas. Lá fora, deve haver um bravo guerreiro que virá em nosso auxílio!

 

*

 

— Minhas costas estão doendo tanto. Isto está insuportável — gemeu Ottilie Braunhauer e balançava para cá e para lá irrequieta na pedra desconfortável. Seu marido arrastava os pés pela caverna escura e lamentava seus males.

Uthe Scorbit e Yasmin Weydner não suportavam mais essa lenta choradeira. Desde que a TEBAS foi literalmente engolida por este portal e teve de fazer um pouso de emergência no planeta, depois que o satélite alienígena atirou nela, o casal de velhos irritava mais do que contribuía para encontrar uma solução construtiva para o dilema. Não, eles agravavam a situação ainda mais.

Uthe passou as últimas horas revivendo o que houve. Muitos passageiros e tripulantes tinham morrido no acidente. A TEBAS foi consumida pelo fogo — aparentemente, a companhia de navegação tinha poupado nas medidas de segurança atuais. A tripulação estava completamente desnorteada. Então, quando apareceu aquelas aranhas gigantes, tinha sido o perfeito caos.

Somente uns poucos conseguiram escapar nesta caverna. Restavam agora apenas onze galácticos. Uthe olhou para os presentes. A maioria deles, ela conhecia. Além de Yasmin e ela, estavam Karl-Adolf e Ottilie Braunhauer, os col’phalls G’Urksmarzk e S’Urksmarzk, os epsalense Bjordahl e Regy Sott, uma garçonete terrana chamada Jezzica Tazum, em seguida, a namorada de Jonathan Andrews Yessica e Vulfgersh, o banqueiro de Ferrol. Onze sobreviventes cercados por aracnídeos gigantes. A situação estava, para dizer o mínimo, desastrosa para os onze galácticos. Eles não tinham comida nem armas. Estavam sozinhos em um mundo alienígena.

— Eu tenho essa dor nas costas! Que você não pode imaginar de modo algum, criança! Pois minhas costas estão me matando de novo. Papaizinho, agora sente-se, você está me deixando muito nervosa...

— Cala a boca, sua vaca estúpida! Eu preciso pensar! — gritou o velho aposentado através da caverna.

Uthe não suportaria os lamentos dos dois por muito tempo. Sua única esperança era Remus. Ela rezou para ele encontrar uma maneira de salvá-los.

Yasmin olhou para a amiga e suspirou baixinho. Ela, como os outros, estavam muito tensos, no entanto, tentava dominar-se. A temperatura também estava insuportável.

Apesar de o calor estar sufocante, o ferrônio Vulfgersh nem mesmo abriu o colarinho alto de sua camisa. O banqueiro sentou-se de terno e gravata na caverna. No entanto, os ferrônios não suavam. Os moradores do sistema solar Vega regulavam a temperatura do corpo através do aumento da salivação.

— Eu tenho compromissos que preciso cumprir! Precisamos continuar o voo — exigiu o homem de negócios, agitando os braços em todas as direções.

Obviamente ele estava em estado de choque, porque não percebeu a gravidade da situação.

Uthe levantou-se e quis acalmar o ferrônio.

— Ouça, não podemos sair daqui. Estamos rodeados por aranhas gigantes. Nossa única chance é esperar por ajuda — esclareceu ela e colocou as mãos nos ombros de Vulfgersh, mas o homem de pele azul empurrou-a do caminho e bateu o rosto da jovem Scorbit.

— Não me toque! Eu sou o chefe de um grande departamento no meu instituto, por isso nenhum suplicante pode simplesmente me tocar — rugiu ele alto.

Yasmin cuidou imediatamente de sua amiga, que estava à beira das lágrimas. A terrana ruiva tomou a sua amiga em um abraço reconfortante.

Exceto Jezzica Tazum ninguém interferiu. A tripulante da TEBAS gritou ao empreiteiro que ele deveria se controlar. Jezzica parecia ser uma mulher resoluta. Provavelmente. ela teria preferido enfrentar o banqueiro ali mesmo. Muita frustração e medo tinham ficado represados em cada uma das onze pessoas. O medo de aracnídeos e medo de não viver para deixar este planeta, esgotava os nervos e, em especial, os modos do terrano. Esse medo deixou quase todos eles loucos.

— Isso não pode ser um pouco mais quieto — murmurou Karl-Adolf Braunhauer e agarrou seu coração.

— Sr. Vulfermann, talvez pudesse ser um pouco mais silencioso? Papaizinho está muito nervoso...

O banqueiro olhou para ela com raiva e olhou para o relógio.

— Vocês podem morrer aqui. Eu tenho um compromisso — disse ele, subindo para fora da caverna.

Jezzica quis segurá-lo, mas ela não teve nenhuma chance. O ferrônio parecia completamente transtornado. Com sua pasta na mão direita, correu pela areia e pedras do deserto. Mas ele não foi muito longe. De repente, o chão tremeu e duas pernas gigantes saíram da terra. Rapidamente a aranha saltou e ficou em seu tamanho completo diante de Vulfgersh que fugiu gritando. A aranha esguichou um pouco de sua teia pegajosa no homem que imediatamente se prendeu nele. Em seguida, a aracnoide puxou o ferrônio gritando para as profundezas.

Um estranho silêncio prevaleceu naquele momento na caverna. Ninguém acreditava mais em um resgate.

 

*

 

O que Remus Scorbit e Jonathan Andrews descobriram era difícil de descrever em palavras. Eles viram quase 100 galácticos presos em teias de aranha pendurada sobre uma ravina. Alguns deles ainda estavam vivos, choravam e pediam ajuda.

Ambos tiveram que se controlarem para não sucumbirem. Era uma visão horrível. Eles não podiam ajudar essas pessoas, porque quatro aranhas gigantes rastejavam em torno da rede e de tempos em tempos devoravam uma das suas presas.

Remus alimentou o rastreador com os dados de sua esposa, no entanto, para seu alívio, não descobriu nenhum correspondente.

— Ela deve estar em outro lugar. Nós precisamos continuar procurando.

Andrews estava desnorteado. Ele não suportava ver essas criaturas serem comidas vivas. Jonathan procurou em sua bolsa e descobriu um detonador térmico. Interrogativamente ele olhou para o amigo. O detonador poderia ser a salvação dos seres vivos nas redes.

Remus concordou. Eles não tinham, aparentemente, nenhuma outra escolha. Com o coração pesado Andrews acionou o dispositivo explosivo e preparou-se para lançar, mas ele não fez o movimento até o fim.

— Eu não posso...

— Nós somos somente dois, Johnny! Como podemos resistir contra quatro destes monstros? Não sabemos quantas dessas aranhas ainda estão a espreita por ai. A energia dos SERUNs não vai durar para sempre. Este não é um traje espacial de combate, mas um SERUN civil.

— Nós fomos capazes de enganar o policial do tempo — disse Andrews.

Scorbit pensou por um momento, então ele concordou. Os dois voaram de volta para o space-jet para encontrar mais armas. Mesmo que eles fossem capazes de libertar os galácticos, eles também precisavam protegê-los, de modo que, não caíssem imediatamente na rede de outros aracnídeos gigantes.

Depois de cerca de 15 minutos a espaçonave em forma de disco já era visível. De repente, o chão tremeu. Atrás deles, uma aranha abriu um buraco no deserto e caminhou rapidamente em direção a eles.

— Por aqui! — gritou Andrews. Remus parou e apontou o radiador para a aranha.

De repente, uma espaçonave em forma de V surgiu de trás do space-jet e disparou no aracnídeo, que desmoronou sob o fogo. Os dois terranos apressaram-se em voltar para o space-jet. Lá eles eram esperados pelo velho espanhol. O marquês lhes deu as boas vindas. Completamente sem fôlego Andrews e Scorbit se encostaram contra a parede e tentaram respirar.

— Que nave era essa? — quis saber Andrews.

— Era a minha espaçonave — respondeu a pergunta uma figura estranha. O humanoide imponente com longos cabelos castanhos e um cavanhaque, vestido com um poncho ocre, calças pretas e botas pretas, com uma espada dourada pendurada em um cinto marrom, apresentou-se como o cavaleiro das profundezas Gal’Arn.

Andrews acenou e não levou o homem totalmente a sério.

— Há apenas dois deles, na verdade, três cavaleiros das profundezas conhecidos. Um deles é Perry Rhodan. Depois, há Atlan, mas ele nunca reconheceu seu status de cavaleiro. Acrescenta-se a estes Jen Salik, que desistiu de sua existência física e cuja consciência entrou na Catedral Kesdschan para revogar a proibição dos cosmocratas contra Perry Rhodan e Atlan. Juntamente com Tengri Lethos, o último sobrevivente dos guardiões da luz e da substância psíquica do fundador da ordem Terak Terakdschan, ele agora vigia a Catedral Kesdchan. Os outros cavaleiros provavelmente já deixará de existir a muito tempo e a ordem é completamente sem sentido — disse ele, cruzando os braços sobre sua barriga.

Gal’Arn sorriu. Ele transpirava paz e simpatia.

— Você está enganado. Enquanto a Catedral Kesdschan existir, também existirão os cavaleiros das profundezas. Eu mesmo venho da galáxia Shagor e sou um cavaleiro das profundezas. Embora sejamos de uma ordem, que foi fundada fora do domínio dos cosmocratas, mesmo assim, meus amigos e eu estamos em missão em nome do cosmocrata Sipustov, a fim de voar para Dorgon e ajudar o povo dos terranos.

Como este homem amável me explicou vocês pertencem à raça dos terranos. Talvez você possa nos ajudar, porque infelizmente nós estamos perdidos.

Andrews não pode deixar de rir. Ele contou sua história e como eles foram parar aqui. Gal’Arn compreendeu imediatamente e se ofereceu para ajudar na busca do restante dos passageiros. O cavaleiro das profundezas falava em intercosmo. A TERSAL havia recebido o pedido de ajuda do space-jet há cerca de uma hora atrás e retornou para o mundo do deserto.

— Sua língua encontra-se registrada em nossos bancos de memória. Há 26 anos, o nosso finado mestre cavaleiro esteve em uma missão na Via Láctea, sua galáxia natal.

Remus e Jonathan ficaram bastante surpresos. Eles olharam para fora do space-jet e viram outros quatro seres. Dois deles parecia com burros ou cavalos andando sobre duas pernas. O outro se assemelhava a um ara com a cabeça cônica e pontiaguda. Por outro lado, a mulher — como Gal’Arn — era muito semelhante aos terranos.

A atenção de Andrews caiu sobre a criatura semelhante a um cavalo, que tropeçou e caiu no chão rudemente. Gal’Arn o apresentou como Thobenar.

Os outros eram o cavaleiro das profundezas Irasuul, um pontanare com uma cabeça cônica, que estava na maior parte sem pelos. Apenas a parte de trás do crânio pendia uma longa trança.

Nirisar era uma elare, do mesmo povo de Gal’Arn. O último do grupo era o ghannakke Jaktar, o primo de Thobenar e orbitante, companheiro constante de Gal’Arn. Rapidamente, a confiança uns nos outros cresceu. Eles não tinham outra escolha nesta situação.

A TERSAL partiu com Gal’Arn, Jaktar, Remus Scorbit e Jonathan Andrews para procurar os desaparecidos.

Era uma tarefa difícil, porque estava escuro e sabia-se que as aranhas eram mais ativas a noite.

 

*

 

Aos olhos de Uthe Scorbit, era apenas uma questão de tempo até que mais pessoas enlouquecessem. O chão vibrava, porque algumas aranhas rastejavam sobre a paisagem deserta. G’Urksmarzk rastejou silenciosamente até Yasmin Weydner que tentava dormir um pouco. Cuidadosamente o peixe cutucou-a.

— Ei, você!

— O quê é? — perguntou Yasmin, sonolenta.

— Eu estou um pouco nervoso. Em nossa raça, ajuda a reduzir o nervosismo e ansiedade quando nosso shepip é massageado.

O col’phall apontou para a parte superior do corpo em seu pescoço.

— E?

— Bem, nós col’phalls, somos proibidos de fazer isso em nós mesmos. Minha esposa não quer, talvez você tivesse a bondade de fazê-lo?

Yasmin sentiu um frio na espinha. Ela sabia que era sua genital. Ela se perguntou se o peixe estava realmente falando sério? Ou todos ali estavam ficando loucos?

— G’Urksmarzk! O que está fazendo ai? Venha aqui — gritou sua esposa, para grande felicidade de Yasmin.

Ela trocou um rápido olhar com Uthe e suspirou novamente. A situação era realmente complicada. Fora da caverna, aguardavam aranhas gigantes, que como era de sua natureza, estavam em busca de alimentos. Dentro da caverna, tudo parecia enlouquecer. Provavelmente os col’phalls estavam sofrendo com a escassez de água.

O assustado peixe voltou para sua esposa, que estava encostada em uma fenda na parede. O col’phall apanhou uma garrafa do bolso e a coloco na fenda. Com um movimento desajeitado, ele empurrou a garrafa inadvertidamente mais profundamente na fenda. Com uma maldição, ele tentou recuperar sua bebida.

G’Urksmarzk já podia sentir a garrafa quando de repente sentiu uma dor aguda no braço. Gritando, ele arrancou-o para fora da abertura e olhou horrorizado para o braço sangrando. De repente, uma grande aranha de “apenas” quarenta centímetros se arrastou para fora da fenda e investiu contra G’Urksmarzk. Dois outros aracnídeos se arrastaram para fora da abertura e atacaram sua esposa.

Uma vez que as três jovens aranhas conseguiram matar os seres peixe, elas partiram em busca de novas presas.

Gritando Regy Sott tentou se arrastar para fora da caverna, mas ai ela já tinha sido picada na perna por uma aranha, que literalmente sugou a pesada epsalense. Seu filho conseguiu sair da caverna, contudo, foi vítima de uma grande aranha que estava à espreita.

Uthe acendeu uma tocha e tentou espantar os animais. Yasmin, Yessica, Jezzica Tazum e os Braunhauer se esconderam atrás da Scorbit, formando uma imagem estranha.

O resto dos sobreviventes permaneceu nesta postura por cerca de meia hora, então, o fogo da tocha se apagou.

Horrorizada Yasmin Weidner e Uthe Scorbit tentaram acender um novo fogo, porque as aranhas já rastejavam lentamente em direção a eles, com as presas bem abertas.

Todos recuaram lentamente, Yasmin tropeçou e caiu no chão, quando ela se recompôs, olhou para os negros olhos facetados dos aracnídeos que abriram suas longas presas.

Literalmente no último instante dois humanoides saltaram entre eles e enfrentaram as aranhas com suas espadas douradas.

Gal’Arn cortou as duas presas da primeira aranha, então as pernas da frente, assim, o animal ficou paralisado. Irasuul deu uma cambalhota sobre a aranha e perfurou o corpo da criatura com sua espada.

— Saiam! — pediu o cavaleiro das profundezas e ajudou Yasmin Weydner. Uma luz brilhante iluminava a área em frente à caverna. A TERSAL pousou e abriu fogo contra as grandes aranhas, que fugiram da área.

Remus desembarcou e correu para encontrar sua esposa. Ambos caíram nos braços um do outro. Remus confortou sua esposa, que estava visivelmente horrorizada.

Yessica era à última a deixar a caverna, mas foi atacada pela terceira aranha enquanto saia.

Irasuul tentou deter o monstro, mas foi atacado por outros aracnídeos que saíram das fendas. Elas atacaram a terrana.

Para Yessica qualquer ajuda vinha tarde demais. Ela já estava morta quando Andrews chegou. O terrano e Irasuul eliminaram as outras aranhas com os radiadores. Jonathan despediu-se de seu romance com Yessica. Ela realmente nunca tinha significado muito para ele, mas ele sinceramente lhe desejava uma boa vida. Ela não merecia este fim. Andrews suprimiu as lágrimas quando se despediu do corpo de Yessica.

 

*

 

Como mais e mais aranhas surgiam, a TERSAL partiu com os sobreviventes restantes e voou de volta para o space-jet.

— Que horror — murmurou Thobenar, assustado.

— Um horror que a natureza nos oferece — disse Gal’Arn. — Estas aranhas, que aparentemente são as governantes primitivas deste planeta, seguem somente o ciclo natural da vida; elas procuram por alimentos.

— Infelizmente, hoje os terranos estavam no cardápio — acrescentou Irasuul com um ligeiro pesar.

Pouco depois, a TERSAL partiu novamente, para libertar os outros prisioneiros, mas Gal’Arn voltou de mãos vazias.

As vítimas já haviam sido comidas, morreram de fome ou sufocaram. Ele não encontrou sobreviventes.

— Nós os levaremos conosco para Dorgon — esclareceu o cavaleiro das profundezas aos galácticos. — Se nós a encontrarmos. Esta galáxia, aparentemente, não é Dorgon.

O marquês e seus três novos funcionários também se mudaram para a TERSAL, lentamente o problema de espaço tornou-se perceptível.

— Mestre, não somos uma empresa de cruzeiros. Estas pessoas são mais um obstáculo do que uma ajuda — se opôs Irasuul, depreciativo.

Gal’Arn admoestou o seu ex-aluno.

— Você não deve julgar os seres. Eles precisavam da nossa ajuda e nós não negaremos isso a eles.

— Naturalmente, ficará um pouco apertado, mas os terranos podem ser úteis para nós, Sipustov nos falou que encontraríamos terranos, o que já aconteceu. Eu vejo isso como uma coincidência muito feliz.

O pontanare teve que aceitar a verdade que estava nas palavras de Gal’Arn e fê-lo sem uma palavra.

Enquanto as mulheres estavam ocupadas arrumando os quartos, os Braunhauer gemiam como de costume e os três do século 20 não faziam nada. Gal’Arn, Irasuul, Remus Scorbit e Jonathan Andrews estavam sentados juntos.

— A galáxia Shagor também tem um portal estelar. Por isso nós chegamos aqui. Nós queríamos visitar a galáxia Dorgon, mas com base em cálculos astronômicos de Jaktar parece que fomos parar em outro lugar — esclareceu o elare.

O ghannakke acrescentou: — As coordenadas de Dorgon foram armazenadas no computador de bordo da TERSAL. A partir dessas, eu calculei as constelações e comparei com os resultados do rastreamento que fizemos desde que chegamos aqui. De alguma forma, não bate certo...

— O quê? — perguntaram Jonathan Andrews e Remo Scorbit simultaneamente.

— Como? — respondeu Jaktar, irritado. — Eu pensei que você estava em uma missão e sabiam de alguma coisa?

O ghannakke abaixou suas orelhas um pouco. Ele parecia confuso. Curioso, ele olhou para os dois terranos.

— Nós fomos parar aqui por acidente — disse Andrews, descrevendo sua situação.

— Eu não acho que isso foi uma coincidência. Provavelmente, os Altos Poderes trouxeram vocês aqui. Com que objetivo não está claro para nós. Talvez por isso que entramos em contato com os terranos — suspeitou Gal’Arn.

— Como vamos prosseguir agora? — quis saber Andrews.

— Primeiro, nós tentaremos descobrir onde estamos. Há cerca de 7.000 anos-luz de distância daqui, fica um aglomerado globular nesta galáxia. Nós devemos voar para lá — sugeriu o cavaleiro das profundezas.

Ninguém tinha objeção.

A TERSAL deixou este planeta inóspito e passou rapidamente para o modo superluminal.

 

*

 

Gal’Arn se retirou para sua cabine e refletiu sobre os novos amigos. Os terranos parecem ser um povo estranho, muito diferente e com muitas peculiaridades. O elare precisou rir quando pensava no estranho casal de velhos.

Então ele ficou sério novamente quando as memórias da traição de Goshkan, a destruição da Catedral, o assassinato de Arib’Dar e a destruição da ordem surgiram em sua mente. As perdas, mesmo com os terranos, que ele encontrou aqui, eram muito grandes.

Quisesse ou não, agora ele estava no meio de um confronto cósmico, mas ele não estava sozinho. Seus companheiros de Shagor, bem como os terranos da estranha Via Láctea, precisavam encarar esta responsabilidade. Ele esperava que todos fossem capazes de fazê-lo.

 

Capítulo 8

Uma expedição mista

 

Gal’Arn olhou pensativo para a projeção do espaço adjacente na direção de voo. Diante dele, estava uma galáxia alienígena. O elare ficou impressionado com a beleza deste gigantesco aglomerado de sistemas que pairavam imponente e em cores douradas brilhantes em sua frente.

Seu rosto refletiu-se na projeção holográfica, produzindo a ilusão de uma janela e chamando sua atenção por um breve momento. Os pensamentos cheios de preocupações do cavaleiro das profundezas vagaram através da sala escassamente iluminada. A iluminação foi deliberadamente colocada a meia luz, com isso Jaktar, seu amigo de longa data e orbitante, podia dormir em paz. Na verdade, o ghannakke tinha sua própria cabine, mas devido aos galácticos, que se juntaram inesperadamente a expedição, reinava a falta de espaço a bordo.

A TERSAL tinha apenas 110 metros de comprimento. A maior parte do espaço era preenchido pelas máquinas e equipamentos técnicos. Todas as seis cabines foram divididas pelas dezesseis pessoas. Gal’Arn havia determinado essa divisão. Naturalmente, ele escolheu o seu orbitante como companheiros de quarto. E Irasuul e Thobenar também compartilhavam uma cabine.

As mulheres estavam alojadas em uma mesma cabine, com exceção de Ottilie Braunhauer, que ocupava um espaço privativo com o marido. Remus Scorbit e Jonathan Andrews com o marquês ocupavam outro quarto. Por fim, os três amigos do estado terrano da Alemanha, Katschmareck, Niesewitz e Wieber ocuparam a cabine que sobrou próximo a seção técnica.

Gal’Arn tentou conhecer os novos acompanhantes, no entanto, o que era algo difícil aos seus olhos por ser uma raça bastante incomum. Havia, por exemplo, os Braunhauer. Apenas cinco minutos depois do que ele tinha imaginado, os dois pareciam ter ganhado a confiança dele e relatou ao elare fatos de sua intimidade que ele nunca na vida confiaria a ninguém. A única coisa irritante para Gal’Arn era que Ottilie Braunhauer não sabia quando devia parar.

Gal’Arn se despediu dela, depois que ela relatou sobre sua diarreia. Seu marido, Karl-Adolf parecia estar destruído física e mentalmente. Atormentado pela dor ele arrastava os pés para todos os lados e queixava-se a todos, estando ele interessado ou não pelo seu sofrimento. O cavaleiro das profundezas esperava que este velho não morresse durante o voo.

Os três terranos, que aparentemente vieram de épocas diferentes eram da mesma forma estranhos. Gal’Arn teve problemas para entender a história, mas os três homens lhe parecia bastante normais e limitados. Eles tinham estocado vários artigos dispensáveis do space-jet em sua cabine, embora o cavaleiro das profundezas tivesse sugerido que levassem apenas o mínimo necessário, ao qual Niesewitz respondeu, no entanto, que isso era o mais necessário para eles.

Como ele passou pela cabine deles, parecia que eles já haviam consumido grande parte dos itens dispensáveis.

O ilustre grupo estava sentado em volta de uma mesa, havia várias garrafas de uma bebida chamada cerveja em pé sobre a mesa e cantavam canções cujo sentido o elare não entendia. Provavelmente, eram louvores a sua antiga terra natal.

O cavaleiro soube por Jonathan Andrews, que a Terra, o planeta natal dos terranos, há milhares de anos era uma nação unida, longe do controle de qualquer falso patriotismo ou nacionalismo. O elare estava convencido de que ideologias como o nacionalismo e o racismo eram problemas que talvez sempre ocorressem. Aparentemente, os terranos pareciam ter superado essa fase de desenvolvimento. Eles já não desprezavam outros seres humanos por causa de sua cor, de sua pele ou de sua aparência, para isso eles tinham outros povos que não estavam em conformidade com a sua imagem de perfeição. Mas esses povos também não pareciam pensar e agir de forma diferente.

Em Shagor esses problemas tinham sido eliminados em grande parte, mas em sua galáxia natal os cavaleiros não podiam nem pensar nisso. Ele não sabia como prosseguiriam. Todos os cavaleiros das profundezas, exceto ele e Irasuul, tinham sido assassinados. A República foi abalada em seus alicerces. Em momentos como este, ele censurava a si mesmo. Talvez Gal’Arn preferisse ficar em Shagor e apoiar a República. Novos cavaleiros precisavam ser formados.

Mas ele não poderia ignorar o perigo representado pelas chamadas forças do caos. O cosmocrata Sipustov tinha avisado eles sobre isso. Embora o conselho dos cavaleiros tenha votado contra uma expedição a Dorgon, Gal’Arn partiu. Após a agressão brutal e o massacre, ele não tinha outra escolha. Perseguido pelos agressores estrangeiros, ele teve que fugir através do portal estelar de Shagor.

Mais uma vez o elare olhou para a galáxia estranha. Ele nunca tinha visto outro aglomerado estelar como Shagor de perto. Gal’Arn estava curioso pelo que esperava por ele e os outros lá. Jaktar começou a roncar. O cavaleiro preferiu continuar sua caminhada através da nave e zelar pelo bem-estar de seus novos convidados.

Nirisar e Irasuul faziam a guarda na estação de comando, enquanto Thobenar também pairava no reino dos sonhos.

“Lá, pelo menos, ele não podia fazer nada”, pensou Gal’Arn com um sorriso.

O estranho primo de Jaktar derrapava de um embaraço para o outro. E isso aconteceria hoje novamente. As instalações sanitárias também não eram suficientemente, havia apenas duas. Então Gal’Arn dividiu-as em uma para homens e outra para mulheres.

No entanto, Thobenar confundiu os banheiros e entrou no errado, para desespero de Yasmin Weydner que estava no chuveiro. Entretanto, o elare nutria fortes dúvidas se o ghannakke tinha visto algo da mulher terrana nua.

O cavaleiro das profundezas prosseguiu em sua ronda. Da sala de Katschmareck, Niesewitz e Wieber vinha uma música alta. Aparentemente também haviam retirado um banco de dados da sintrônica do space-jet abatido com diversas peças musicais.

Gal’Arn decidiu seguir em frente. Andrews e Scorbit também dormiam. Os dois haviam passado por horas extenuantes. Eles ainda precisaram se defender de um perigoso gigante, que encontraram na mesma espaçonave com o marquês e os três alemães.

Gal’Arn sentia um grande potencial em Andrews. Ele era um representante capaz, talentoso e responsável de sua raça. Remus Scorbit parecia ter natureza semelhante. Mas, em todo caso, ambos tinham muito a aprender.

O próprio Gal’Arn também tinha muito que aprender. Os registros na TERSAL que Arib’Dar tinha feito 26 anos atrás, durante a sua missão na Via Láctea, ajudavam, porém, era muito o que ele tinha que entender. Particularmente, a interferência de entidades na vida dos seres vivos normais era algo que ele só tinha de se acostumar. Ele se sentia como um personagem virtual que foi enviado por jogadores alienígenas através de uma aventura virtual, sem saber para quê e por quê. No entanto, isso tudo não era virtual, mas a sua vida e a de seus companheiros.

Quem eram os filhos do caos? Quem era Rodrom e o que estava por trás da entidade MODROR? Quem eram os alienígenas que enviaram os terranos por um portal estelar móvel. Mais do que o nome alyske, Remus Scorbit não sabia. Quem eram os dorgonenses? O que esperava por eles em Dorgon? Amigos e Inimigos?

Tantos enigmas. Gal’Arn continuou a caminhar através da TERSAL.

As mulheres dormiam profundamente. Ao mesmo tempo, Thobenar também caminhava pelo corredor e dirigiu-se gingando para a cozinha.

— Você também não consegue dormir, Thobenar? — perguntou o cavaleiro das profundezas amigavelmente.

O ghannakke assustou-se e lançou o copo de leite no ar. Com esforço ele tentou pegá-lo novamente, fazendo vários malabarismos com o recipiente de uma mão para outra, até que o vidro, finalmente, caiu no chão e derramou seu conteúdo. Thobenar olhou em volta timidamente e sorriu para o cavaleiro das profundezas.

— Sim, eu também não consigo dormir...

O ser semelhante a um cavalo mostrou os dentes brancos e esperou que o elare não estivesse bravo com ele.

Gal’Arn colocou as mãos nos quadris e balançou a cabeça, então ele pegou uma toalha e ajudou Thobenar a limpar a bagunça.

— Espere, eu vou lhe servir um copo, antes que você desperdice nossos estoques restantes — disse Gal’Arn e o ghannakke derramou o líquido branco em um copo azul.

Lentamente Thobenar levou sua língua para fora da boca e lambeu prazerosamente o leite.

Gal’Arn esboçou um sorriso fraco, pensando na próxima missão. Ele não sabia como ele devia lidar com estes “ajudantes”. Dos dezesseis seres a bordo ele julgava que nem a metade deles era capaz de reagir adequadamente em situações perigosas. Deste ponto de vista, por mais desagradável que a palavra lhe soasse, eles eram um empecilho para a missão, pois ele também precisava zelar pela vida deles. Ele se corrigiu. Presumivelmente, essa seria agora sua missão principal.

— Eu espero que possamos descobrir onde estamos, assim que, a TERSAL atinja esta galáxia — murmurou ele e também bebeu um copo da bebida terrana, que eles recuperaram dos destroços da TEBAS. A TERSAL não tinha suprimentos suficientes para tantas pessoas e por isso tiveram que recuperar da TEBAS e sua nave auxiliar todos os suprimentos que estavam ainda utilizáveis de alguma forma. Embora Vergana tivesse reabastecido os suprimentos antes da partida, no entanto, esta nave era projetada para duas até quatro pessoas e não dezesseis bocas famintas.

— Vamos rezar para Jedar Balar, para que esse homem de pele vermelha não nos encontre — acrescentou ele, pensativo.

— Você quer dizer que o homenzinho maligno que matou todos os cavaleiros de Elaran?

Gal’Arn assentiu.

O ghannakke dispensou com um gesto de mão.

— Oh, nós damos um jeito nisso — relinchou Thobenar determinado e bateu com o punho na mesa, com isso entornando o copo novamente.

Desta vez o cavaleiro economizou um comentário e deixou o ghannakke consertar a bagunça sozinho.

Thobenar não era apenas um desajeitado, ele também era retardado mental. Às vezes ele tinha problema para se expressar corretamente e reconhecia muitos contextos tarde demais. Thobenar era como uma criança, mas ele era um companheiro fiel e até lutava muito bem. No entanto, a coisa mais importante para Gal’Arn era que o ghannakke tinha um bom coração. Essa era a qualificação mais importante de todas para um membro da Ordem dos Cavaleiros.

 

*

 

Na manhã seguinte, o grupo tão diferente já estava sentado à mesa para o café, quando o cavaleiro das profundezas, um pouco sonolento, chegou à cozinha. Ele cumprimentou os presentes amigavelmente e perguntou sobre seu bem-estar.

Naturalmente, Ottilie Broumovsk começou imediatamente a queixar-se de seu sofrimento.

— Nós estamos tão mau. Eu não sei por quê. Papaizinho realmente tem uma dor de cabeça e eu estou com a perna inchada...

Gal’Arn acenou com simpatia. Ele ficou muito intrigado por que subitamente os Braunhauer estavam tão mau, visto que na noite passada eles ainda tinham energia suficiente para organizar uma celebração extravagante com seus novos amigos Katschmareck, Niesewitz e Wieber.

— Ora, se minha perna ficar pior, ela poderia ser amputada — gemeu a terrana outra vez, espalhando seu mau humor.

— Por favor, vamos comer — advertiu Uthe Scorbit e engoliu a comida.

Reinhard Katschmareck estragou ainda mais o apetite dela fazendo barulhos que seria melhor abafar enquanto se come.

Jaktar e Irasuul voltaram à central de comando e prepararam tudo para a chegada a uma galáxia estranha. As primeiras mensagens de rádio foram captadas. Imediatamente começaram a analisar a linguagem desconhecida.

Gal’Arn também se dirigiu para a pequena sala, na qual se encontravam as unidades de controle da TERSAL. Ele parecia ler os pensamentos de Irasuul. Para acalmá-lo ele colocou sua mão no ombro do cavaleiro das profundezas.

— Eu sei o que você pensa sobre os terranos — começou o elare compreensivo.

Irasuul respirou fundo e voltou-se para o seu mestre. Ele olhou profundamente em seus olhos. Sua expressão facial revelava raiva.

— Essas criaturas miseráveis só nos atrapalham. Talvez um ou dois deles sejam uteis, o resto provavelmente nos custará o sucesso desta importante missão!

As palavras eram duras. Gal’Arn procurou por uma resposta apropriada, mas era difícil, porque ele próprio acalentava os mesmos pensamentos, embora não tão intensamente.

— Irasuul, em primeiro lugar, essas criaturas, como você os chamou, são seres vivos. Eles merecem respeito e atenção. Se você está falando deles, você não deve se esquecer disso. Certamente eles são inexperientes e não são cavaleiros das profundezas, todavia eles estão aqui a bordo. Nós temos a obrigação de cuidar deles, enquanto procuramos por Dorgon. Eu sei que a situação é difícil, mas vamos superá-la.

As palavras de seu mentor impressionaram o pontanare. Ele sabia que Gal’Arn estava certo, mas ele também tinha diante dos olhos os mortos, todos os cavaleiros que tinham perdido suas vidas. Irasuul não queria sob nenhuma circunstância que os seus amigos e mentores tivessem morrido em vão. O assassino devia pagar seu preço. Por isso ele via os terranos como um obstáculo que poderia colocar em risco a missão, mas ele concordou em silêncio com seu mentor, demonstrando com isso sua vontade de deixar os terranos em paz.

— Pessoal! Rastreamos um planeta habitado — chamou Jaktar e ao mesmo tempo que dedilhava apressadamente alguns botões, até que a imagem do planeta agregado aos dados correspondentes apareceu no holovisor.

Em uma representação tridimensional foi mostrado um sistema solar muito grande. Ele consistia de um sol azul gigantesco e cerca de 90 planetas, dos quais dois terços eram enormes planetas gasosos e só o décimo quinto planeta era habitado.

Jaktar mostrou um zoom do mundo desértico. Ele media 8.918 km de diâmetro e tinha dois grandes continentes, um dos quais era povoado com vários assentamentos.

— De acordo com os resultados dos nossos rastreadores, os residentes possuem tecnologia avançada. Eu localizei algumas espaçonaves deixando e chegando ao sistema. No entanto, apenas em determinadas áreas metropolitanas. O resto parece tecnologicamente atrasado para mim.

— Bom, Jaktar! Nós vamos para este planeta — disse Gal’Arn. — Em primeiro lugar, no entanto, entraremos em órbita em um dos gigantes gasosos e estudaremos a língua deles.

A TERSAL voou para o sistema e parou no vigésimo planeta, de onde eles passaram a posição de escuta. Eles descobriram que o planeta era chamado Zorryk e, aparentemente, era uma espécie de atração para os seres de outros planetas. A população realmente vivia em grande parte sem tecnologia. Gal’Arn não sabia se isso era feito voluntariamente ou porque os visitantes de outros planetas não compartilhar sua tecnologia. Os elares também viviam, em parte voluntariamente no “primitivismo” e renunciaram algumas coisas tecnológicas por causa da natureza e da consciência de vida. De qualquer forma, parecia que este planeta chamado Zorryk era bem apropriado para se visitar.

 

*

Jonathan Andrews passeava através da espaçonave e estava terrivelmente entediado. Não havia nada para o terrano fazer. Em uma esquina ele chocou-se com Jezzica Tazum. A bela loira corria através da TERSAL. Involuntariamente, ela teve que interromper seus exercícios físicos quando colidiu com Andrews. Ele imediatamente pediu desculpas a ela e colocou todo seu charme para influenciá-la. Ele a “convidou” para uma bebida. Ambos foram para a cozinha, onde não havia mais ninguém.

Com um sorriso Jonathan serviu-lhe um copo de vurguzz. De vurguzz e outras bebidas alcoólicas, não havia muitas na TERSAL, o que era devido principalmente a Niesewitz e seus companheiros.

Jezzica sorriu e agradeceu-lhe. Ela era uma mulher atraente. Tinha apenas 1,75 metro de altura, com cabelos loiros, ligeiramente encaracolados, que chegavam até os ombros, olhos azuis e um corpo dos sonhos que deixou Andrews flutuando no sétimo céu.

— Como você está lidando com tudo isso? — perguntou ele.

Ela olhou para a mesa e parecia um pouco envergonhada.

— Eu não sei. Tudo mudou completamente. Alguns dias atrás eu ainda tinha o meu biscate habitual na TEBAS e agora estou a milhões anos-luz da terra, cercada por humanos e cavalos completamente estranhos.

Andrews riu da comparação do ghannakke feita por ela.

— Por outro lado, é uma aventura emocionante — continuou explicando ela. — Em casa, eu ia todos os dias de uma festa para outra, a fim de experimentar algo novo. Agora eu tenho a oportunidade de experimentar uma verdadeira aventura...

— Uma aventura bastante perigosa — constatou Andrews com um suave tom velado. Ele coçou a cabeça e esboçou algum desconforto.

Jezzica parecia um pouco deprimida.

— Sim, eu sei. Talvez todos pudéssemos morrer...

Imediatamente, ele colocou a mão sobre a dela e acariciou as costas da mão.

— Não, isso eu não vou permitir!

Lentamente, seus lábios se aproximaram e mais perto um do outro, até que eles se uniram totalmente em um beijo apaixonado.

 

Capítulo 9

Zorryk

 

No dia seguinte Jaktar tinha recolhido informação suficiente sobre a língua da população alienígena. Ele explicou que consistia de várias culturas cuja denominação genérica era zerachonense. Por isso, o nome da galáxia era conhecido como: Zerachon!

Gal’Arn acalentava a esperança de que este mundo, chamado Zorryk, tivesse uma espécie de observatório astronômico, com o qual eles poderiam determinar o caminho para Dorgon.

Ele convocou uma reunião. Todos os dezesseis tripulantes da TERSAL estavam presentes.

Gal’Arn explicou suas intenções.

— Vamos agir em vários grupos. Jaktar, Andrews, o marquês e eu formaremos o primeiro grupo. Nós procuraremos por um observatório. O segundo grupo será composto por Irasuul, Thobenar e Remo Scorbit. Vocês tentaram obter mais informações sobre esta galáxia e onde nós nos encontramos exatamente.

Enquanto Nirisar, Niesewitz, Karl-Adolf Braunhauer, Katschmareck e Wieber permanecerão aqui. Uthe Scorbit, Yasmin Weydner, Ottilie Braunhauer e Jezzica Tazum procurarão ao redor por novas provisões e matérias-primas úteis que possamos utilizar nesta viagem.

Ninguém fez grandes objeções, mas Ottilie Braunhauer lamentou-se sobre o encargo iminente. No entanto, Gal’Arn bateu o pé. Como Ottilie Braunhauer tinha sido dona de casa durante toda a sua vida, ela estaria certamente em melhor posição para julgar o que era necessário para uma equipe de dezesseis pessoas.

A TERSAL pousou no fundo de um vale isolado alguns minutos após a reunião, dez quilômetros do povoado mais próximo. A proteção contra localização funcionou perfeitamente e de acordo com as estimativas iniciais, os zerachonenses, apesar de tudo, não eram desenvolvidos tecnicamente o suficiente para localizar a TERSAL.

Os grupos se dividiram depois de terem alcançado a pequena cidade com dois planadores, que pertenciam ao equipamento da TERSAL.

O assentamento parecia muito primitivo. Andrews comparou-o com os do início da Idade Média europeia na Terra. As pessoas estavam devidamente vestidas e parecia ser na maioria agricultores ou artesãos.

O grupo em torno de Gal’Arn sentiu-se, com exceção do marquês, extremamente desconfortável neste assentamento. Os humanoides zerachonenses encararam o ghannakke como se eles nunca tivessem visto essa criatura. “Provavelmente, era isso mesmo”, pensou Gal’Arn.

Mas rapidamente ele percebeu que não era esse o caso. Um monstro de três cabeças marchava através do mercado. Alguns segundos depois, um ser que poderia ser descrito melhor com uma bola voadora passou zunindo. Em um dos quatro tentáculos segurava um saco. Portanto, alienígenas não pareciam ser desconhecidos para os nativos locais.

Jaktar especulou que este assentamento era apenas uma espécie de subúrbio. Em uma das montanhas ficava, provavelmente, a verdadeira cidade. Alguns planadores voavam naquela direção, o que confirmou suas suspeitas.

— Primeiro daremos uma olhada por aqui, antes de irmos para a cidade principal — sugeriu Gal’Arn.

O marquês sentiu-se em casa. Os barracos e os muros de pedra lembravam a ele muito da antiga Espanha.

— Señores, eu sugiro comermos algo primeiro. Os estalajadeiros geralmente são muito falantes, isso deve correr em todos os planetas.

— Talvez você esteja certo, marquês. Vamos para o restaurante mais próximo — o cavaleiro das profundezas apoiou a sugestão do velho espanhol.

Os quatro entraram em um restaurante que ficava a cerca de 200 metros de distância. Ele não parecia muito bem externamente. A casa era construída de madeira e a porta rangia terrivelmente. O interior dela era ainda pior. Cheirava a álcool e excrementos. Jaktar torceu seu grande nariz e fez menção de voltar atrás, mas Gal’Arn o deteve.

— Talvez nós possamos descobrir alguma coisa...?

— Eu gostaria de ter seu otimismo. Antes de nos trazer algo interessante em experiência, nós já estaremos fedendo ou contrairemos um vírus mortal.

Um cliente desinteressado comentou a declaração de Jaktar com um arroto estrondoso.

O ghannakke revirou os olhos e trotou atrás de Gal’Arn e dos outros. Andrews encontrou uma mesa. Ele empurrou as sobras para o lado e sentou-se. Rapidamente ele acendeu um cigarro.

— Taberneiro! — exclamou o marquês em intercosmo.

Gal’Arn advertiu-o que essa determinada criatura não possuía um tradutor. Eles tiveram que aprender a língua pelo hipnotreinamento.

— Como é primitivo — replicou o espanhol com certa ironia, uma vez que há poucos dias ele não tinha sido diferente daqueles zerachonenses e não compreendia uma palavra em intercosmo. Mas o terrano do século 18 tinha se inserido admiravelmente bem na nova era. Ele fala com grande inteligência, adaptabilidade e abertura para o mundo, acreditava Gal’Arn. Uma pessoa intolerante, estúpida e ignorante certamente não aceitaria tão bem o fato que seu mundo já não existia como tinha sido outrora.

De la Siniestro repetiu sua afirmação desta vez na língua do zerachonense.

Desta vez, o taberneiro compreendeu melhor. Era um bruto de um humanoide. Com, pelo menos, dois metros de altura, o corpo tinha uma forma grosseira, três olhos e com uma pele extremamente branca.

— O quê? — rosnou ele ameaçadoramente.

No entanto, Gal’Arn não se deixou influenciar.

— Nós queremos algo para beber.

O taberneiro soltou um som gutural e arrastou-se para a cozinha. Demorou um pouco. Ninguém disse nada, mas observavam os outros clientes.

— Talvez aqui eles sejam metamorfos? — perguntou Jaktar incrédulo, quando viu que o taberneiro tinha melhorado muito sua aparência.

Ele era de uma só vez uma mulher muito bonita, com longos cabelos negros, um beicinho e seios bem-proporcionados.

— Um anjo... — murmurou o marquês, sorrindo alegremente. Seus dentes amarelos estavam à mostra.

Andrews sentiu que aquela não era uma visão particularmente agradável. Ao contrário da jovem e bela garçonete que trouxe as bebidas. Jonathan sorriu para ela. Envergonhada, ela também lhe presenteou com um sorriso.

— Muito obrigado, bela mulher — agradeceu o terrano encantador.

Ela inclinou-se imperceptivelmente e limpou a mesa com um pano úmido, antes que colocasse as bebidas sobre a mesa.

— Qual é seu nome? — perguntou Andrews.

— Jereta.

— Um bonito nome.

— Obrigada!

Andrews tomou sua mão e acariciou-a suavemente.

— Sente-se conosco, por favor — pediu a ela, mas ela se recusou.

— Eu preciso trabalhar. Além disso, meu pai está irritado...

Ela apontou para o taberneiro, que esfolava uma criatura semelhante a um cão com seu machado.

— Mais tarde?

Ela sorriu novamente. — Tudo bem. Eu saio em uma hora.

Depois que ela voltou ao trabalho, Gal’Arn perguntou o que significa isto. Andrews esclareceu que talvez ele pudesse descobrir algo dela. O cavaleiro compreendeu e entrou em contato com os outros dois grupos.

Remus Scorbit e Irasuu já tinham descoberto que o castelo, era a sede do governo e desde as duas horas prevalecia o toque de recolher. Eles tentaram penetrar no anel interno, mas tinham sido proibidos. Apenas fora do toque de recolher isso era possível. Gal’Arn recomendou a eles que voltassem a TERSAL e no dia seguinte tentassem novamente.

O outro grupo teve menos sucesso. Ottilie Braunhauer não se sentia tão bem. Envergonhada, Nirisar decidiu sair as compras no dia seguinte. Como Gal’Arn e seus companheiros de qualquer maneira não poderiam fazer mais nada hoje, eles se declararam de acordo. Eles alugaram quartos para passar a noite, mesmo que Jaktar preferisse dormir na TERSAL, mas Gal’Arn queria partir muito cedo para o círculo interno da cidade.

 

*

Depois de uma hora de espera, Andrews dedicou-se a encantadora Jereta. Ambos sentaram-se juntos por um longo tempo, então decidiram caminhar pela cidade.

— De onde você vem, Jonathan? Do céu?

Andrews não sabia o que dizer. Aparentemente, esses humanoides primitivos sabiam que havia outras civilizações que viajavam pelas estrelas, mas eles mesmos ainda não tinham inventado a eletricidade. Isto era verdade, pelo menos para os cidadãos de subúrbio.

— Sim, eu venho de outro mundo. Isso deve ser muito difícil para você, certo?

— Bem, eu sei que há seres mais elevados do que nós. Estes muitas vezes vêm nos visitar ou simplesmente fazer compras. Inicialmente, isso era inconcebível para o nosso povo e nossa fé entrou em colapso, mas o príncipe salvou-nos todos e fez algo inteligente — disse ela. Aqui Jereta olhou profundamente nos olhos de Andrews.

“Que linda vista”, pensou o terrano e fixou em seus lábios, que parecia convidá-lo a beijá-la. Mas ele se segurou. Ele tinha que saber mais sobre este mundo. A missão dependia disso.

— O príncipe? — perguntou ele.

— Príncipe Baf Ruar-Thomun, nosso senhor. Ele nos ensinou a lidar com seres de outros mundos e servi-los.

— Eu entendo... e onde está esse Baf Ruar-Thomun?

— Lá!

Ela apontou para o grande castelo no círculo interno da cidade. Andrews compreendeu. Hoje à noite eles poderiam conseguir mais nada. Depois do toque de recolher ninguém tinha acesso ao castelo. Talvez eles devessem se anunciar com a TERSAL, uma vez que este Baf Ruar-Thomun, aparentemente, parecia respeitar muito todos os extraterrestres.

— Como é em outros planetas? — indagou Jereta.

Andrews teve de sorrir. Como poderia explicar a ela todas as coisas?

— O meu planeta natal, a Terra, é linda. É um planeta azul com água em abundância e sete continentes. É diferente daqui, não é tão idílica, mas é moderna, limpa e oferece muito mais possibilidades.

Ela pegou a mão de Jonathan e pressionou seu corpo contra o dele. — Você me levará para lá?

Ele não sabia exatamente o que dizer, uma vez que ele já sentia os lábios dela, enquanto sua língua voluptuosamente entrava na boca dele.

 

Capítulo 10

O perseguidor

 

A nave em forma de H pousou em uma colina não muito longe da aldeia. A espaçonave pousou rudemente no chão. Várias árvores foram afastadas pela massa de aço. Elas caíram como palitos de fósforo no chão. O barulho alto dos propulsores fez com que os animais da floresta próxima fugissem assustados.

Uma escotilha se abriu e duas figuras emergiram. Uma delas usava um manto negro, em sua mão direita ele segurava um longo cajado, que terminava em um crânio na ponta.

A segunda se elevava cerca de duas cabeças e meia acima da primeira. A criatura bufou alto. Seu tronco balançava ritmicamente de um lado para o outro.

O primeiro tirou o capuz e assim mostrou sua cabeça careca de pele avermelhada. Na testa, podia ser vista uma tatuagem que representava três seis encaixados um no outro. Estes seres estavam caçando os ajudantes dos cosmocratas. Gal’Arn e seus companheiros deveriam viajar para Dorgon em missão para o cosmocrata Sipustov. Mas Rodrom manipulou o programa do controle do portal estelar em Shagor e eles foram desviados parar na galáxia Zerachon. Aqui eles estariam longe de Dorgon ou de qualquer ajuda do Grupo Local. Cau Thon e Goshkan poderiam caçá-los e, assim, frustrar o plano dos cosmocratas — desde que, é claro, Sipustov e não o próprio DORGON fosse o mentor por trás de tudo.

Gal’Arn parecia ser uma criatura forte. Apesar do ataque à Elaran e do extermínio dos cavaleiros das profundezas, ele não estava disposto a desistir. Isso devia ser uma ironia do destino, uma vez que agora Gal’Arn também recebia o apoio dos terranos. Mais uma vez alguém cuspiu na sopa dele. Isso teria algo a ver com o surgimento da RIVEDELL em Shagor? De qualquer forma, Rodrom tinha a intenção de encontrar outros terranos em estase na nave transportadora dos casaros, em seguida, levá-los para a Terra. Aparentemente, o planejado por Rodrom com o tempo passou a ser um plano secundário. No entanto, os terranos também foram parar inexplicavelmente em Zerachon.

Rodrom informou Cau Thon imediatamente. A entidade Vermelha que se descrevia como uma encarnação do grande senhor e mestre MODROR, agora tinha perdido o interesse em seus jogos. Sua ordem para Cau Thon e Goshkan era clara: a eliminação dos shagorianos e terranos.

Um pedido de socorro para as naves terranas tinha chamado a atenção do pele-vermelha. No entanto, ele chegou tarde demais. Tudo o que ele encontrou foram duas espaçonaves terranas destruídas. Mas ele reencontrou a TERSAL. Ela estava neste planeta. Agora ele só precisava procurar pelo cavaleiro das profundezas. Ele não se encontrava na nave, como informou o rastreador individual. Era inútil destruir a TERSAL. Cau Thon precisava, finalmente, eliminar Gal’Arn, seu adversário mais perigoso nesta missão, que, aos olhos de Thon, era absurda.

— Goshkan o que você vê? — perguntou o pele-vermelha ao gigante semelhante a um elefante, quando ele olhou para o vale e viu a cidade. Uma calma idílica pairava sobre a cidade. A estrela brilhava intensamente e nenhuma daquelas criaturas primitivas sentia a ameaça que se aproximava.

— Muitas criaturas lastimáveis. Eu vejo gado! — bufou o katrone que traiu os cavaleiros das profundezas e ajudou-o Thon em seus assassinatos.

— Paciência, meu jovem aprendiz, tenha paciência.

Cau Thon ativou o rastreador individual que vasculhou toda a cidade. O zumbido e o sinal sonoro duraram apenas alguns minutos, em seguida, a varredura estava concluída. Os resultados pouco surpreenderam Cau Thon.

— Gal’Arn está lá em baixo. Vamos persegui-lo e tirá-lo do caminho.

Goshinkan grunhiu estupidamente e puxou o machado com o qual ele gritava balançando no ar. Cau Thon não deu nenhuma atenção a essas ameaças e prosseguiu no seu caminho para a cidade.

O katrone seguiu seu mestre. Ele não podia esperar para matar. Esta criatura estava em um frenesi sanguinário!

 

*

 

Jonathan colocou o braço delicadamente em torno de seu ombro. A pele de Jereta era macia e suave. Eles estavam na cama de seu quarto. Andrews esperava que o rude pai dela não aparecesse.

Silenciosamente, a zerachonense espreguiçou-se e deu um suspiro durante o sono. O coração de Jonathan bateu mais forte quando sentiu a cabeça dela em seu peito.

Ele não queria admitir, mas estava caído de amor pela filha do estalajadeiro. Ela era uma mulher cheia de inocência e energia. Exatamente o que precisava um homem que estava em uma missão cósmica, pois sua vida tinha mudado radicalmente de um momento para o outro. Ao mesmo tempo em que ele estava tão longe de sua casa, de seus amigos, de sua família e precisava desafiar a morte.

Andrews se sentia solitário, apesar de seus novos amigos e companheiros. Jereta foi capaz de mudar isso em algumas horas.

Ela tinha uma influência positiva sobre ele e lhe deu novas energias.

Ele a beijou na testa com ternura. — Sim, eu vou levá-la...

 

*

 

Na névoa da manhã duas figuras sombrias aproximaram-se do subúrbio do grande castelo. Estava nublado e chuviscando. O chão estava muito úmido. Cada passo dos dois estranhos era comentado pelo som de botas atoladas na lama.

Eles não se importavam nem um pouco com esse clima inóspito. O objetivo não estava muito à frente deles nessa névoa fantasmagórica, através da qual as luzes da cidade brilhavam. Os lamentos de alguns animais domesticados os faziam parar por alguns instantes. Cau Thon levantou a mão e ordenou o silêncio completo a Goshkan. Eles ouviram a voz de um velho pastor, que falava com seus animais. O katrone sacou um punhal e pulou no meio dos arbustos, enquanto Cau Thon aguardou o morador que se aproximava.

O zerachonense se assustou quando viu a figura na escuridão da neblina e da madrugada. O homem quase caiu para trás.

— Quem... quem é você, estranho?

— Como você disse, um estranho!

O homem estava tremendo de medo. Ele acreditava reconhecer um demônio em Cau Thon, algo sobre que ele, de alguma forma, não estava tão errado.

— Conte-me mais sobre este planeta, camponês — exortou o pele-vermelha ao habitante primitivo, que não entendia nada do que estava acontecendo ao seu redor.

— Eu... eu... não sei... Eu não vejo nada... apenas nevoeiro, apenas nevoeiro... — disse ele, confuso, quase desmaiando de medo.

De repente, Goshkan saiu dos arbustos e investiu contra um dos animais. Com sua adaga, cortou a artéria carótida, em seguida, esfaqueou repetidamente, até que o animal estivesse morto.

O pastor começou a gritar e tentou fugir, mas o seu coração fraco não aguentou. Ele caiu para frente, estava morto. Goshkan pouco se importou com ele, cortou um grande pedaço de carne da carcaça do animal morto e satisfez sua fome.

— Nós vivemos em um tempo civilizado. A carne não é mais comida crua — observou Cau Thon, desgostoso.

Ele continuou seu caminho para a cidade.

Depois de um tempo o katrone correu atrás de seu mestre, na mão esquerda ainda havia um grande pedaço de carne. Eles se aproximavam de Gal’Arn. O perigo crescia a cada minuto.

 

*

 

Bem cedo, o intercomunicador de Andrews apitou. Era Gal’Arn, o terrano naturalmente sabia que era hora de partir. Suavemente, ele empurrou Jereta para o lado e beijou-a na bochecha.

Em seguida, ele vestiu-se em silêncio, mas a bela zerachonense já estava acordada.

— Para onde você está indo?

— Ao círculo interno. Nós precisamos fazer alguma coisa lá.

Ele foi até ela e sentou-se na cama.

— Você voltará?

Sua voz estava um pouco inquieta. Ela parecia estar com medo de que ele não voltasse. Andrews pegou sua mão e a beijou.

— Sim, eu voltarei e a levarei comigo.

Ela não podia acreditar e começou a se alegrar em voz alta. Jereta atirou-se ao pescoço de Jonathan e beijou-o várias vezes. Ela estava muito feliz.

— Eu te amo!

— Eu também te amo, Jereta!

Com estas palavras, o terrano deixou o quarto de sua amada. Ele sentiu uma sensação estranha no estômago, que era popularmente conhecida pelos terranos como “borboletas no estômago”. — Ele estava apaixonado!

Gal’Arn estava parado na entrada com os braços cruzados na frente do abdômen. Ele não resistiu em dar um ligeiro sorriso que não podia ajudar a si mesmo, mas então ele olhou para o terrano com uma postura de reprovação.

— Sob o pretexto de obter informações não brinque com os sentimentos de uma mulher — ele advertiu Andrews.

— Eu não estou brincando com os sentimentos dela. Eu amo ela e a levarei comigo!

O cavaleiro respirou fundo, quando já trotava na direção de Jaktar e o marquês.

— Como? Vem com mais alguém? Paulatinamente nós teremos problemas de espaço na TERSAL... — bufou o ghannakke.

— Eu preferiria me preocupar com o que o pai dirá — respondeu Gal’Arn divertindo-se ligeiramente quando viu o gordo zerachonense se aproximando.

Andrews tomou toda a sua coragem que tinha e foi até o estalajadeiro.

— Senhor, eu... eu... amo a sua filha e quero levá-la comigo — disse ele corajosamente.

O gordo olhou para ele fixamente e levantou seu machado.

— Eu cortarei tudo abaixo do seu umbigo, se você olhar para ela novamente — gritou ele ameaçadoramente no ouvido de Andrews que recuou alguns passos.

— Nós conversaremos sobre isso mais tarde — interrompeu Gal’Arn, apontando para o cronógrafo.

Os quatro despediram-se por enquanto do seu anfitrião amigavelmente e continuaram seu caminho para o círculo interno.

Jaktar estava muito feliz em deixar o assentamento primitivo, enquanto Andrews só conseguia pensar em Jereta. A fronteira entre o bairro e a cidade moderna era evidente. Um grande muro rodeava todo o castelo. Havia apenas duas entradas que eram controladas.

Pela primeira vez, também se deparam com tecnologia moderna. Um rastreador individual examinou-os de acordo com sua origem. Nem todos os habitantes do planeta eram autorizados à entrada no círculo interno da cidade. Mas as criaturas alienígenas eram bem-vindas, assim também foram Gal’Arn, Jaktar, Andrews e o marquês Siniestro.

O interior da cidade é fundamentalmente diferente das antigas muralhas do subúrbio. Os quatro encontraram casas modernas, robôs e planadores.

— Certamente aqui há um observatório — ponderou Gal’Arn e resolveu olhar um pouco ao redor.

Andrews informou Irasuul e os outros. Gal’Arn achou melhor que Irasuul, Remus Scorbit e Thobenar permanecessem na TERSAL. Afinal só as mulheres deveriam cuidar das compras, o que representou uma tragédia…

 

Capítulo 11

A captura

 

— Senhora Scorbit, eu não posso ir tão rápido. Minha perna dói muito. Talvez ela devesse realmente ser amputada, mas então eu vou me matar, eu digo isso a você — suspirou alto a velha.

Sua interlocutora não estava particularmente satisfeita com esta conversa. Ela tentou não ouvir sobre isso, e começou a fazer as suas compras o mais rápido possível, mas isso não era tão fácil. Elas precisavam comprar comida, roupas e produtos de higiene para 16 pessoas. No ritmo de Ottilie Braunhauer provavelmente levariam o dia todo.

— Por que você está tão quieta? — ela ouviu a voz irritante perguntar.

— O quê? Ah sim, Eu... eu estou com dor de cabeça.

— Sim, eu também. Eu não sei, isso deve ser por causa do clima. Papaizinho e eu estamos realmente tão cansados. Todos os dias. Isso deve ser o clima. O clima no espaço não faz bem a nós dois. Você deveria tomar um analgésico. Eu tomo alguns todos os dias!

Uthe só balançou a cabeça e provou se algumas frutas eram frescas. Ela procurou Nirisar e Yasmin Weydner, mas as duas tinham ido fazer as suas compras no outro lado do mercado.

De repente, alguns soldados trouxera a jovem terrana no cabresto. Eles apearam de seus cavalos cinzentos peludos e pararam diante Uthe Scorbit.

— O príncipe Baf Ruar-Thomun deseja ver vocês, mulher — disse um dos soldados grosseiramente. Ele agarrou-a com um braço e apontou com o outro para uma liteira em que estava sentado um homem barbudo em vestes elegantes.

— Mas nós estamos fazendo compras. Talvez você me possa dizer onde fica o... o... bem... o... o... — Ottilie Braunhauer tentou enrolá-los, mas o soldado proibiu-a de falar com um gesto inconfundível.

Uthe aproveitou a oportunidade e ativou o seu intercomunicador. Ela enviou um pedido rápido de ajuda a todos os outros. Imediatamente Nirisar e Yasmin Weydner apareceram. A jovem elare desembainhou uma espada e lentamente se aproximou dos guardas.

— De onde viemos, o sequestro é punível — disse ela com firmeza e ergueu a espada.

Os dois soldados viraram-se e começaram a rir. Quatro outros guardas vieram e sacaram radiadores.

Nirisar ficou surpresa que eles tivessem essa tecnologia.

— Pela última vez; o príncipe Baf Ruar-Thomun deseja lhe... — o soldado olhou para seu mestre, deu um sinal. — ... deseja ver todas vocês!

O soldado deu outro aviso que rapidamente desarmou Nirisar, pelo qual a elare desistiu voluntariamente da resistência. Todas as quatro mulheres foram levadas para uma segunda liteira. Qualquer resistência parecia inútil no momento, mas o pedido de ajuda de Uthe Scorbit também chegou com segurança aos outros e esses não ficaram de braços cruzados, quanto a isso a jovem terrana estava segura.

 

*

 

Gal’Arn percebeu o pedido de ajuda imediatamente. Ele advertiu os outros de sobreaviso. Surpreendentemente, o marquês foi o que mais insistiu em um resgate rápido.

— Eu soube de Jereta que este Baf Ruar-Thomun é o príncipe desta cidade, isso não será tão fácil para nós — disse Andrews.

O cavaleiro das profundezas pensou por um tempo e, em seguida, entrou em contato com Irasuul. — Eu posso deter Remus Scorbit para que não faça algo precipitado, mas Mestre, eu também tenho certeza que nós vamos libertá-las. Nós somos cavaleiros das profundezas, eles são apenas camponeses estúpidos.

— Muito bem, Irasuul, mas vamos tentar isso de forma pacífica. Vamos oferecer o príncipe alguns tesouros. Com certeza o marquês está disposto a desistir de algumas das riquezas que ele tem acumulado.

Gal’Arn lançou um olhar de censura ao espanhol, que, por sua vez, mostrou-se bastante surpreso.

— Como?

— Eu sei tudo o que acontece em minha nave, meu amigo!

O marquês olhou envergonhado para o chão.

— Essa é a minha aposentadoria. Do que mais eu poderia viver? — tentou ele se justificar.

— Você certamente dará uma parte para a salvação das quatro senhoras, certo?

O marquês ficou furioso. — Com o dinheiro eu poderia comprar centenas de señoritas, eu não vejo por quê...

Ele não foi além, porque Jonathan Andrews agarrou o velho pelo colarinho. Gal’Arn interveio e convenceu Andrews a soltar o marquês.

O velho espanhol pensou por uns instantes, então disse irritado: — Tudo bem, mas apenas por Scorbit, Weydner e Nirisar. A velha Braunhauer pode ficar onde está!

— Nós libertaremos todas, caso contrário eu posso muito bem deixá-lo aqui, velho — respondeu o cavaleiro.

O marquês ainda quis se opor, mas o cavaleiro das profundezas já estava correndo em direção ao palácio. Andrews e Jaktar o seguiram imediatamente, enquanto o velho espanhol permaneceu indeciso alguns segundos olhando atrás de seus três companheiros. Então, de repente ele sentiu um puxão em seu casaco. Ele olhou para baixo e viu um mendigo sujo, com um largo sorriso para ele.

— Uma esmola por caridade, Senhor...

O marquês fez uma careta e deu um ligeiro tapinha no ombro do homem.

— Eu acho que hoje eu já fiz minha caridade…

 

Capítulo 12

O interrogatório

 

Jereta deitou-se na cama e apanhou uma flor. Isso era típico no jogo de amor dos humanos. Depois de arrancar cada pétala da flor, ela dizia — ele me ama — ou — ele não me ama.

Jereta não podia acreditar. Toda garota na aldeia sonhava com seu príncipe, mas ela realmente o conheceu. Ela estava perdidamente apaixonada e seguiria o seu amado Jonathan para qualquer lugar.

De repente, ela ouviu o rugido de seu pai. Ele chamou por ela. Ela provavelmente deveria lavar a louça ou cumprimentar os clientes de bebedeira. Mas esses dias estavam contados para a jovem zerachonense.

Seu pai andava troteando em seu bar e tirava uma cerveja quando duas pessoas entraram no restaurante. Os outros clientes deixaram a sala abruptamente. Confuso o estalajadeiro virou-se e ficou chocado por alguns segundos.

Um deles tinha cerca de dois metros de altura, pele avermelhada e vestia uma túnica preta, o outro era ainda maior com uma tromba de elefante, presas, chifres de demônio e três olhos. Era uma imagem terrível, mesmo para o estalajadeiro grosseirão. Mas ele se recompôs rapidamente e ofereceu um lugar para os dois.

— O que os senhores desejam?

Cau Thon manejou seu rastreador e deu um sinal para Goshkan examinar o andar superior.

— Eu localizei claramente genes terrano em um quarto no andar superior — disse ele ao seu aprendiz, que se levantou imediatamente e subiu as escadas.

O estalajadeiro colocou-se no caminho do katrone, mas ele foi varrido para o lado sem a menor cerimônia.

— O que é isso? — gritou ele para Goshkan, então Cau Thon deixou claro que ele deveria ficar em silêncio.

Goshkan derrubou uma porta. Lá dentro uma garota gritou em pânico. Era Jereta. Ela ainda estava de camisola e ajoelhada sobre a cama, puxando as cobertas.

Goshkan permaneceu bufando na porta e esperou pelo seu mestre, que alguns segundos mais tarde entrou no quarto.

Novamente, o vermelho olhou para o seu rastreador de identificação e olhou com desdém para a jovem.

— São espermatozoides, minúsculos organismos terranos produzidos durante o acasalamento. Consigo localizá-los na cama e dentro desta camponesa.

O pai não acreditava ter ouvido corretamente. — O que? Eu não entendo o que esses homens estão dizendo, mas você deitou-se com aquele desgraçado? — gritou ele incompreensivo para sua filha. Ele correu para ela e agarrou seu braço.

Thon fez um sinal para Goshkan retirar o pai irritado para fora do quarto. O gigante agarrou o homem e jogou-o contra a parede. O pai lutou e atingiu o katrone, mas Goshkan deslocou um braço dele e jogou o zerachonense escada abaixo.

— Então, minha criança, agora você vai me dizer onde nós encontramos Gal’Arn e seus companheiros — disse Cau Thon sombriamente e se aproximou da jovem assustada.

Jereta começou a chorar e agarrou-se a seu cobertor.

— Eu não sei nada, eu quero ver Jonathan!

Cau Thon entendeu que este Jonathan, era o terrano com quem ela tinha dormido. No entanto, isso importava muito pouco para ele. Agora ele deixou o interrogatório com Goshkan. O gigante agarrou a criatura delicada pela perna e puxou-a para mais perto. Jereta gritou de medo. Ela ficou de pé e mordeu o ser semelhante a um elefante no dedo. Goshkan gritou brevemente e bateu duas vezes no rosto da menina.

Seu nariz quebrou como um palito de fósforo. O sangue escorria de ambas as narinas em seu rosto e busto. Jereta ainda estava gritando. Ela não conseguia se acalmar. Ela gritava por sua vida.

Goshkan olhou interrogativamente para Cau Thon.

— Faça o que quiser com ela. Ela é inútil!

Goshkan sorriu e sacou sua adaga. Ele puxou a camisola do corpo e começou a girar a adaga em torno de seu umbigo, cada vez mais perto.

— Jonathan! — gritou Jereta com a voz cheia de pânico uma vez e outra vez, mas ele não podia ouvi-la, ele não podia ajudá-la. Seu coração batia cada vez mais rápido e mais rápido, o sangue parecia querer estourar as veias, seu coração estava paralisado de tanto medo que ela tinha. Ela gritou e lutou, lágrimas brotando em seu rosto, mas seu algoz desfrutou disso e empurrou o punhal no corpo dela!

Cau Thon virou. Ele não era um sádico, como Goshkan. O xamouri dava um fim rápido aos seus inimigos, enquanto o katrone atormentava tanto tempo quanto era possível. A filha do camponês gritava, gritava e gritava, enquanto Goshkan empurrava a adaga lentamente através de seu torso, para dar-lhe uma morte tão cruel, quanto possível.

 

Capítulo 13

O príncipe

 

Uthe, Yasmin e Nirisar foram levadas a um grande salão. Era um salão esplendidamente equipado. Uma piscina representava o centro em torno da qual foram colocados alguns vasos de folhagens e divãs. A música tocada era calma e tranquila. Muitas mulheres se moviam no salão. Elas tinham de origem diferente, eram bonitas, mas também havia feias entre elas, geralmente vestidas com pouca roupa.

Uthe teve um mau pressentimento. Ela conhecia essas instalações praticamente apenas de filmes antigos, mas estas eram reais.

— Onde estamos? — perguntou Yasmin inquieta.

Um homem gordo olhou para ela. Ele se aproximou das três mulheres e falou com uma voz muito alta. — Bem-vindo ao Palácio de Baf Ruar-Thomun, Sua Alteza Real, o Grão-Duque do mundo de Zorryk

— Agora eu sei onde estamos, em um harém — constatou Uthe pouco entusiasmada e confirmou suas suspeitas.

Yasmin engoliu em seco. Ela instintivamente puxou sua jaqueta um pouco mais para cima, olhando em volta ansiosamente. O servo do príncipe ainda sorria gentilmente para as três mulheres. Nirisar desejou ter uma espada, então ela poderia, pelo menos, iniciar a tentativa de uma fuga.

— O príncipe quer que vocês troquem de roupa. Na sala ao lado há roupas apropriadas. Por favor, apressem-se, o príncipe não tomou café da manhã hoje, você compreende o que quero dizer...

Nirisar colocou as mãos nos quadris. — Eu tornarei sua vida um inferno, eunuco gordo!

O sorriso do servo desapareceu. Ele parecia estar de alguma forma ofendido com os insultos de Nirisar. Ele torceu o nariz e chamou um guarda. O homem de dois metros de altura agitou uma espada na direção dos vestiários. A elare não tinha escolha, senão atender este pedido inequívoco.

— Eu me sinto como uma puta barata — murmurou Yasmin, enquanto se apertava em roupas muito justas.

Antes que Uthe pudesse responder, o servo entrou na sala. Nirisar ainda não tinha se vestido completamente.

O eunuco deu um largo sorriso, mas apenas alguns segundos mais tarde, ele recebeu um chute no estômago que o fez cair no chão, ofegante. Uma tentativa de fuga era em vão, porque logo alguns guardas invadiram a sala, seguidos pelo próprio príncipe.

Ele deu uma volta em torno das três mulheres, estudando cada uma delas. Ele correu um dedo nas costas de Yasmin Weydner, mas ficou mais impressionado com Uthe. Baf Ruar-Thomun deu um sorriso para ela, que a terrana mal respondeu.

— As outras saiam, deixe-me a só com esta flor exótica — disse ele suavemente e ofereceu um lugar para Uthe.

Relutante, ela sentou-se e amaldiçoou o guarda que tinha levado o comunicador de pulso.

— Gostaria de beber algo? — perguntou o zerachonense com cuidado, mas Uthe apenas balançou a cabeça. — Bem, não, então. De vez em quando, eu também cuido de meu harém e mantenho alguma conversa, especialmente com novas conquistas, como você é uma flor...

Ele sorriu para ela. Era uma mistura de admiração e desejo. Uthe Scorbit decidiu levantar-se e cruzou os braços sobre o peito.

— Escute, eu sou cidadão terrana. Meu nome é Uthe Scorbit e não flor. Eu não sei de onde você tirou essa ideia, chamarei você de cacto. Eu exijo a minha libertação sem demora, também exijo que minhas três companheiras venham comigo. Se você aceitar isso sua vida será poupada. Nós temos amigos poderosos que não estão longe!

Baf Ruar-Thomun observou sem acreditar a impetuosa terrana brevemente, em seguida, ele começou a rir estrondosamente. Ele riu de Uthe Scorbit!

De repente seu riso desapareceu. Ele apanhou um chicote de um armário e bateu várias vezes no chão.

— Você é uma orquídea selvagem que precisa ser domada. Eu devo chicoteá-la?

— Não! Nós devemos nos divertir e eu pegarei algo para beber!

— Boa flor...

 

*

 

— Você não tem ideia de como me sinto mal. Nesse estado, mesmo com a melhor boa vontade eu não posso cozinhar — gemeu a terrana aposentada, devido a falta de compreensão da verdadeira chef, uma zerachonense de 200 kg, que era sua melhor freguesa.

— Como você é muito feia e velha demais para o harém, você tem que cozinhar — resmungou a mulher gorda, agitando o dedo indicador no ar. — Você pode organizar os estoques de vinho e álcool do príncipe. Experimente quais ainda estão bons e faça uma lista!

De repente os olhos de Ottilie Braunhauer brilharam. Uma explosão de energia atravessou a velha. Sem contestar, ela dirigiu-se para o seu trabalho.

 

Capítulo 14

A fuga

 

Baf Ruar-Thomun deslizou no sofá para mais perto da terrana. Ele começou a tocar suas coxas. Uthe tentou de tudo para se livrar desse zerachonense intrusivo.

— Príncipe, eu sou casada.

— Bem, e dai?

— Meu marido vai te matar!

Thomun riu às gargalhadas novamente. Esse foi um riso asqueroso que deixou Uthe Scorbit com ódio.

— Eu tenho um exército, eu vou matá-lo. Agora você é minha flor!

Ele beijou sua bochecha, então a terrana se desvencilhou dele e se levantou. Irritado Thomun levantou-se num pulo e pegou o chicote.

— Como você quiser, eu vou chicoteá-la até que você seja mais obediente! — gritou ele no rosto dela.

Lentamente Uthe começou a ficar com medo. Ela reconheceu o perigo que esse homem representava. Mas o que poderia fazer? Sob nenhuma circunstância ela queria se entregar a ele, mesmo que essa recusa lhe causasse uma grande dor.

— Príncipe, um grupo de seres de outro mundo deseja falar convosco — anunciou o servo.

— Agora não!

— Eles dizem que vieram buscar as mulheres!

— O quê?

Gal’Arn saiu de trás da cortina, seguido por Andrews e Dom Philippe. O cavaleiro das profundezas parecia elegante e imponente diante do príncipe. Ele baixou o chicote e tentou recuperar um pouco de sua dignidade ajeitando os seus cabelos e roupas.

— Quem é você?

— Meu nome é Gal’Arn. Eu venho de outro planeta, pertenço também aos ilustres convidados do mundo Zorryk.

O príncipe procurou por palavras. Aos seus olhos o alienígena estava certo em alguns aspectos. Muitas décadas atrás habitantes de outro mundo haviam pousado no planeta e deixaram inequivocamente claro que eles eram superiores aos zorrykers.

Zorryk pertencia aos mundos atrasados da galáxia Zerachon. Isso fez com que também Baf Ruar-Thomun subisse ao trono há dois anos. Ele tornou a cidade um próspero centro para os visitantes extraterrestres. Os turistas estrangeiros pagavam bem e Thomun poderia enriquecer. O povo não via nada do dinheiro e precisava lidar com o choque da evolução, nem todos podiam suportar. Mas os alienígenas eram superiores a eles, portanto Thomun fazia todo o possível para não se indispor com eles.

— E... e o que você deseja? — perguntou Thomun finalmente.

— Essa mulher ali é de um amigo meu. Ela veio de outro mundo. Eu estou aqui para levá-la, bem como suas companheiras. É melhor você se render imediatamente a mim!

O suor escorria na testa do príncipe. Envergonhado, ele olhou para Uthe Scorbit que apoiava as mãos na cintura e olhava para o príncipe.

— Eu espero que nada de mal tenha acontecido a você? — perguntou o elare para a terrana.

Uthe sorriu e disse cinicamente: — Eu posso esquecer o comportamento grosseiro desse hipopótamo, se puder ir imediatamente.

O príncipe gritou e quis chicotear Uthe Scorbit, Gal’Arn desembainhou sua espada de ouro e cortou o chicote. Atônito e com os olhos arregalados Baf Ruar-Thomun olhava fixamente para seu interlocutor.

— Me entregue agora às quatro mulheres, ou eu terei que ser rude?

Neste momento, o marquês também interveio. — Escute-o, señor! Nós queremos chegar a um acordo amigável. Há mulheres aos montes, mas estas quatro pertencem a nós. Em nossa espaçonave temos apenas cinco mulheres. Você entende como elas são poucas?

O príncipe assentiu compreensivo.

— Você vê como estas mulheres são extremamente importantes para nós. Agora, no entanto, não vamos deixá-lo de mãos vazias — continuou falando o espanhol.

Andrews sorriu. — Nós temos muito ouro.

O marquês lançou um olhar hostil para o terrano, em seguida, disse ao zerachonense: — O ouro é um insulto para um homem tão rico. Eu tenho algo muito mais valioso. Este memocubo.

Dom Philippe colocou o pad de 10 centímetros na mão do zerachonense. Interrogativamente Baf Ruar-Thomun olhou para o espanhol.

— Há um programa incluído. Um tipo de programa holográfico, que nos leva a um mundo virtual. Lá você pode idealizar suas mulheres, tantas quanto quiser e quando quiser!

Para demonstrar o marquês ativou o holoprograma. Um mundo virtual foi criado. Duas mulheres nuas pularam no príncipe e se enlaçaram a ele. Os espasmos nos cantos da boca e o brilho em seus olhos indicavam que Thomun estava gostando. Em seguida, o marquês desativou o cubo novamente.

— Neste cubo está um computador. Você só precisa dizer seus desejos e ele se cumprirá. O que são quatro mulheres contra o mundo inteiro cheio de mulheres que só querem você?

Estas palavras pareceram convencer o príncipe. Ele declarou-se de acordo e agarrou-se o cubo. Yasmin e Nirisar foram trazidas para o quarto. Gal’Arn pediu a elas que trocassem de roupas.

— Onde está Ottilie Braunhauer, a velha? — perguntou o cavaleiro.

Thomun disse que ela ainda estava na cozinha. Ele mandou o seu servo levá-la para a saída. Enquanto as mulheres se vestiam, Thomun já brincava com seu presente.

— Todavia, você precisa me revelar mais uma coisa, príncipe. Onde posso encontrar um observatório, eu preciso descobrir as coordenadas de uma galáxia em particular — quis saber Gal’Arn.

— Eu não entendo exatamente o que você quer dizer, mas existe uma carta de estrela do planeta Zechon, no castelo de Prosperoh.

— Onde posso encontrar este planeta?

— Vinte anos-luz daqui, em direção ao centro. Mas eu os advirto, a morte reina lá, a morte!

Mais uma vez os olhos do estranho príncipe brilharam. Gal’Arn sentiu o mundo inteiro como uma única contradição. Ele raramente tinha visto um povo primitivo aceitar tão bem o fato de que havia vida em outros planetas. Por outro lado, ele também ficou impressionado com os astronautas, porque eles não escravizavam os povos primitivos.

Após Nirisar, Yasmin e Uthe terem trocado de roupas, eles deixaram o castelo de Baf Ruar-Thomun. Ottilie Braunhauer já estava na saída, balançando de um lado para outro.

— Qual é o problema? — perguntou Andrews.

Em breve o jovem terrano descobriu o que a velha tinha. Ao sentir o bafo de Ottilie Braunhauer, Andrews pode reconhecer que ela tinha levado o registro e os custos iniciais de estoques de álcool do príncipe Baf Ruar-Thomun muito a sério.

— Ela está bêbada — murmurou ele para Gal’Arn, que assistia de braços cruzados o estado da Braunhauer.

— Uthe, Nirisar, por favor, cuidem de Ottilie Braunhauer.

As duas mulheres atenderam ao pedido e tentaram, pelo menos, recuperar a aposentada, porque eles ainda precisavam voltar para a nave.

Jaktar apenas balançou a cabeça, enquanto balançava suas orelhas, o que pareciam involuntariamente engraçado.

— Marquês, devo-lhe fazer um elogio. A ideia do holoprojetor foi muito boa. Onde você o conseguiu? — indagou Gal’Arn.

O velho espanhol estufou o peito e mostrou os dentes amarelos. — Aquele Fatzar Harold, o comandante da TEBAS, tinha algumas coisas interessantes a bordo do space-jet. Incluindo este holoprojetor.

Andrews riu.

— Eu queria saber o que mais ele teria...

O marquês ficou em silêncio, o que, no entanto, deixou Jonathan Andrews pouco surpreso. O marquês era um terrano muito astuto e inteligente, isso certamente seria bom para algumas surpresas.

— Eu espero que você ainda tire uma lição disso. Este Baf Ruar-Thomun agiu apenas por ganância e luxúria. Todo ser, que baseia sua vida somente nesses motivos inferiores, qualquer dia acabará por perder — admoestou o cavaleiro das profundezas os que estavam em volta dele.

Jaktar relinchou concordando, ai Andrews levantou a mão.

— Falando em luxúria, eu preciso buscar Jereta...

— Quem é essa? — perguntou Uthe Scorbit.

— Eu explicarei mais tarde, nos mínimos detalhes; ela é a mulher mais bonita nesta galáxia!

— Tudo certo — sorriu a Scorbit, enquanto Gal’Arn olhava ao redor pouco amigável.

— Você quer realmente levá-la junto? Você está ciente das consequências? Isso será muito difícil para a garota. Eu me pergunto se ela superará tudo isso...

— Com a minha ajuda vai, Gal’Arn! Eu prometo!

O cavaleiro concordou e eles tomaram o caminho para o restaurante. De alguma forma, todos estavam felizes de em breve deixar este planeta inóspito. Uma multidão estava na frente da casa fechada. Andrews foi até a porta e tentou abri-la em vão.

— Por que ele está fechado?

Um homem usando um capuz se aproximou de Andrews. Ele cheirava mal. — Nós nos perguntamos isso também. O feio Hiltru disse ter ouvido gritos vindos de lá. Mas também não sabemos de nada.

Andrews olhou para Gal’Arn, que já havia sacado sua espada. Andrews apanhou o seu radiador térmico e forçou a entrada.

Não havia ninguém na sala de recepção do restaurante. No entanto, alguém estava lá, mas os dois o reconheceram mais tarde, porque ele estava agachado chorando atrás do balcão.

Enquanto isso, as quatro mulheres chegaram. Ottilie Braunhauer estava visivelmente extenuada. Ela tinha grande dificuldade em andar, mas Uthe Scorbit e Nirisar a apoiavam.

— Eu não sei por que de repente estou tão tonta. Eu não compreendo... — balbuciou a velha.

As outras duas mulheres se olharam e apenas balançaram a cabeça. Nirisar cuidou para que ninguém mais entrasse na pousada. Ela trancou a porta após Scorbit e Weydner terem arrastado a Braunhauer com elas para dentro.

Gal’Arn e Andrews caminhou lentamente para o estalajadeiro em soluços. Jonathan se inclinou sobre o homem que olhou para ele com olhos lacrimejantes.

— O que aconteceu, estalajadeiro?

Mas o homem não respondeu, apenas olhou para as escadas. Imediatamente Andrews correu ansiosamente até as escadas, seguido por Gal’Arn. Jaktar decidiu ajudar o estalajadeiro.

— Não! — o cavaleiro ouviu vindo do quarto. Ele correu e viu Andrews, que se agarrava à porta. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Lentamente Gal’Arn olhou para a cama. Era uma visão horrível. Gal’Arn preciso de muita coragem e autocontrole, para ver isso. Ele não podia imaginar o que estava acontecendo em Andrews.

Lá estava ela — ou melhor, o que restou dela.

— Nós estamos chegando — gritou Uthe Scorbit preocupada, mas Gal’Arn rugiu para Jaktar, para ele não permitir que as mulheres subissem.

Relutantemente, o cavaleiro das profundezas caminhou para o corpo mutilado da zerachonense. Em seguida, ele correu para um armário, tirou um cobertor e colocou-o sobre o corpo. Por alguns segundos, ele orou para que sua alma agora encontrasse a paz.

Ele se virou novamente e olhou nos olhos tristes do terrano. Pareciam clamar: — Por quê?

Gal’Arn tomou Jonathan nos braços e tentou aliviar a sua dor. Desenfreadamente o terrano chorou nos ombros do cavaleiro.

— Por quê? Quem fez isso a ela? — soluçou ele desesperadamente. — Nós teríamos um futuro... nós...

Gal’Arn precisou se recompor. Ele precisava manter a cabeça fria, o que era muito difícil em face desta trágica situação.

Lentamente, ambos desceram as escadas. Andrews olhou tristemente para os rostos de seus amigos, uma parte deles olhava para ele interrogativo, a outra parte compadecida.

Primeiro ele foi até o pai de Jereta e colocou a mão em seu ombro.

— Sinto muito — gaguejou Andrews com os olhos cheios d’água.

O estalajadeiro levantou-se e o abraçou. Andrews tentou conter as lágrimas, mas elas novamente correram de seu rosto.

Gal’Arn esclareceu o que tinha acontecido. Horror e consternação fizeram-se amplamente entre as pessoas. Apenas Ottilie Braunhauer não compreendeu completamente o que tinha acontecido.

— Quem fez este ato hediondo? — perguntou Jaktar finalmente.

Silêncio.

O estalajadeiro se levantou e parecia prestes a dizer algo, mas enfraquecido pelo choque, ele caiu no chão. Este homem estava no fim. Sua filha parecia ser tudo o que ele tinha. Agora ela estava morta.

De repente a porta foi arrombada. Com um forte estronda as dobradiças foram arrancadas da armação da porta e a madeira quebrou-se sob o impacto da pancada.

Gal’Arn imediatamente sacou sua espada, bem como Nirisar. Jaktar sacou o seu radiador e colocou-se de forma protetora na frente das mulheres.

Diante deles estava Cau Thon e Goshkan. Gal’Arn os reconheceu instantaneamente.

— Gal’Arn, que alegria vê-lo novamente — saudou Cau Thon ao elare com um sorriso maroto.

Gal’Arn permaneceu em silêncio.

— Então, você ai atrás deve ser o Jonathan, certo? Sua camponesa estava chorando por você, quando Goshkan lhe estripava — disse o vermelho lentamente.

Imediatamente, Andrews avançou gritando sobre o enviado do caos, mas Jaktar o deteve. Andrews não tinha nenhuma chance contra Cau Thon. O ghannakke tinha visto a forma de lutar desse ser. Lentamente, os dois agressores se aproximaram.

Goshkan zombou.

— Senti um grande prazer em matá-la. Ela gritava por misericórdia e continuava gritando seu nome.

Todo o corpo de Andrews estava tremendo. Somente o ódio passava por sua cabeça. Ele desejava matar Goshkan, mesmo que tivesse que morrer para isso.

— Basta de palavras! Cavaleiro das profundezas, você veio em uma missão, cujo significado você não entende. Você representa uma ameaça para nós. Portanto, você, assim como seus companheiros, devem morrer agora...

Com estas palavras Cau Thon ativou seu cajado de ouro cintilante. Em ambas as extremidades lâminas foram estendidas, que eram envoltas por um campo esverdeado. Goshkan pegou uma machadinha de sua mochila.

Andrews soltou-se e disparou com o seu radiador em Cau Thon, mas este ativou um campo de proteção em seu cajado e deixou os disparos enviados ricochetearem.

Então ele saltou sobre o terrano, mas Gal’Arn colocou sua espada entre eles e aparou os primeiros golpes de Thon.

Nirisar então desembainhou sua espada e voltou sua atenção para Goshkan.

— Será uma honra mandá-lo para o inferno, seu traidor miserável — disse ela, agitando com sua espada ao redor.

Goshkan rebateu os primeiros golpes e jogou a elare no chão.

Jaktar não sabia o que fazer. Ele olhou para Andrews desamparado, que se lançou em cima de Goshkan, mas foi simplesmente lançado ao chão. Então, o ghannakke tomou uma decisão.

— Uthe, Yasmin! Leve a Braunhauer e voem com o planador para TERSAL. Nós os seguiremos mais tarde. Apressem-se!

Imediatamente as duas mulheres agarram a velha Braunhauer e a arrastaram para fora da taverna. Ottilie reclamou, mas Uthe gritou para ela calar a boca.

No entanto, Ottilie Braunhauer não podia ir tão rápido. Ela bufava e ofegava a cada passo, mas o planador ainda estava a algumas centenas de metros de distância. Então Uthe viu um homem subir no veículo voador.

— Marquês! Ajude-nos! — gritou ela. Surpreso, o espanhol virou-se e correu para as três mulheres.

— Oh, señorita Uthe! Eu pensei que era melhor buscar o planador, para que pudéssemos escapar mais rápido.

De repente Ottilie caiu no chão e começou a gritar bem alto. Ela não parava de choramingar e gritar.

— Oh, minha cabeça, minha cabeça — gritou a velha. Em vão Uthe tentou levantá-la. O sangue corria de um dedo da Braunhauer.

— Não, não! Eu tomei macrófagos. Meu sangue... meu sang... ue está mais ralo por causa disso. Eu me sinto tão mal...!

Ali estava ela, de quatro, como uma joaninha e não se levantava do lugar.

— Eu não sei como isso aconteceu. Eu tinha bebido apenas duas garrafas de vinho na casa daquele homem, eu devo ter algo na cabeça ou vértebras do pescoço... — gemeu a aposentada.

Isso era como em um pesadelo para Ute. Ela tentou arrastar a mulher com excesso de peso para o planador, mas Braunhauer gritava a cada centímetro que se movia.

Enquanto isso, a batalha continuava a se desenrolar na estalagem. Jaktar e Andrews tentavam lidar com o poderoso colosso Goshkan, mas o gigante já tinha desarmado eles. Era uma luta desigual.

Não era possível determinar um vencedor no duelo de espada entre Gal’Arn e Cau Thon. A luta se desenrolava lentamente na estrada. Jaktar viu o planador e acenou para o marquês.

Esse olhou interrogativamente para Uthe Scorbit. — Eu deveria buscá-los? Mas e se esses dois monstros nos matarem? Sugiro que esperemos e coloquemos a velha no planador primeiro.

Uthe assentiu e reuniu toda a sua força, mas Ottilie Braunhauer resistia.

— Eu... preciso de mais cinco minutos, então... então estarei bem novamente — disse ela arrastado.

— Nós não temos cinco minutos! — gritou Uthe.

— Eu sou velha e doente, eu preciso descansar. O porquê de eu ter essas tonturas, eu também não sei...

Uthe ficou irritada e agarrou a gola de Braunhauer.

— Você não está doente, você está apenas bêbada e não regula bem! — Ela reuniu toda a sua força e junto a Yasmin Weydner colocaram a Braunhauer no planador, em seguida, ela saltou para dentro do mesmo.

— Eu já informei a TERSAL, eles acionaram os propulsores — disse o marquês com entusiasmo e deu partida no planador.

Ele queria primeiro voar para a TERSAL, mas Uthe Scorbit sugeriu que ele voasse para o outro, a fim de salvá-los. Relutante, o espanhol seguiu a ordem.

Andrews estava sangrando da testa. Ele parecia não ter muita chance contra o avassalador Goshkan. O elefantino sorria diabolicamente e golpeava com seu machado. Nirisar tentou novamente chamar a atenção para si mesma, mas ela fazia um grande esforço para afastar os golpes de Goshkan.

De repente, o planador apareceu sobre suas cabeças e desceu. Jaktar foi o primeiro a saltar. Nirisar aproveitou a oportunidade para ferir o ombro de Goshkan. Com isso, Andrews pôde embarcar no planador. Ele apanhou um radiador e atirou em Cau Thon, que caiu ferido no chão. Gal’Arn saltou contra Goshkan e segurou-o.

— Suba, Nirisar! — gritou ele.

A jovem elare preparou-se para saltar quando Cau Thon saltou rapidamente e enfiou seu cajado nas costas da mulher.

Andrews agarrou-a e puxou a ferida para o planador. Gal’Arn também saltou no veículo, que imediatamente deixou a cidade a plena velocidade.

Cau Thon ativou o emissor e alguns segundos depois, dois flutuadores controlados por robôs apareceram voando. Ele e Goshkan acionaram os dispositivos de voo e saíram em perseguição.

Nirisar estava gravemente ferida. O sangue saia da ferida aberta. Gal’Arn estava preocupado com sua aprendiz.

A TERSAL já estava à vista, quando duas salvas de energia atingiram o planador, que deslizou como uma pedra e caiu no chão.

Gal’Arn quebrou duas costelas, ele imediatamente cuidou dos outros. Ottilie Braunhauer estava inconsciente, o marquês sofreu um ferimento na cabeça, todos os outros estavam bem, exceto... Nirisar.

A jovem elare não sobreviveu ao acidente. O cavaleiro das profundezas superou a tristeza e o desamparo — quando viu os dois dispositivos de voo que se aproximavam. Cau Thon e Goshkan saltaram.

Irritado Gal’Arn, correu em direção ao vermelho e golpeou-o com sua espada, mas ele conseguiu desviar os ataques.

Irasuul, Thobenar e Remo Scorbit vieram correndo da TERSAL e intervieram imediatamente na luta.

Soldados da KARAN mergulharam de repente com dois planadores e dispararam sobre os galácticos e shagorianos. Cau Thon derrubou Gal’Arn e saltou para cima do planador.

Uthe Scorbit esforçou-se para se levantar. A primeira coisa que viu, no entanto, foi Cau Thon. Ele a agarrou pelo pescoço e puxou a terrana para si.

— Eu sinto o seu medo. O medo é o meu companheiro, meu aliado. Juntos nós somos fortes. Todo mundo tem medo, o herói, o forte, o fraco, o corrupto e você. Sim, eu sinto que você tem medo...!

E ele estava certo. Uthe temia por sua vida. A aura fria e mortal dessa criatura a deixou gelada. Era como se ela estivesse frente a frente com a morte. Ela tinha um medo terrível dessa criatura!

Cau Thon soltou-a e virou com o seu cajado, quando Irasuul atacou. Os dois entregaram-se a uma breve, mas violenta troca de golpes, enquanto Goshkan atacava Gal’Arn repetidamente.

Andrews, Remus Scorbit e Jaktar tentavam manter os soldados de Cau Thon ocupados, enquanto Yasmin Weydner e Thobenar tentavam de tudo para levar os outros para a TERSAL.

Irasuul mostrou suas perfeitas artes de luta. Seus cabelos estavam encharcados de suor. Era a luta de sua vida contra o seu maior inimigo. Ódio e desprezo eram os únicos sentimentos que ele nutria por seu adversário, que tinha assassinado tantos honrados cavaleiros das profundezas.

Irasuul aparou os golpes de Cau Thon que deixou passar um débil sorriso nos lábios. Em seguida, o jovem pontanare lançou-se em um ataque, mas Cau Thon se esquivou e atingiu as pernas de Irasuul. Ele caiu no chão e imediatamente ele quis se levantar em um salto, mas saltou diretamente na lâmina de Cau Thon.

Gal’Arn não queria acreditar no que via. Seu protegido tinha sido perfurado pelo cajado de Cau Thon. Irasuul estava morto.

— Para a TERSAL! — gritou Gal’Arn e correu o mais rápido que suas pernas podiam.

Cau Thon então retirou-se na proteção de seus soldados skurit atacantes, que vieram marchando em armaduras de exoesqueleto pretas e atirando em tudo e todos.

Andrews, Jaktar e Remo Scorbit ficaram na escotilha e respondiam ao fogo inimigo. Eles deram fogo de proteção para Gal’Arn que passou horrorizado pelo cadáver de seu aluno. Lágrimas escorriam de seu rosto quando ele descobriu o cadáver de Thobenar. O fiel orbitante tentara ajudar seu cavaleiro, no entanto, o ghannakke fora atingido pela saraivada de energia dos atacantes.

Jaktar tomou coragem e correu para o campo. Ele agarrou seu mestre e amigo e arrastou-o para a TERSAL. Mal as escotilhas tinham se fechado, quando a nave partiu.

Cau Thon e Goshkan se retiraram imediatamente com um planador, porque assim que a TERSAL ganhou altura, abriu fogo contra os soldados e os dizimou.

Mas isso foi apenas um pequeno consolo para a perda dos três amigos caídos…

 

Capítulo 15

Perdas

 

Ninguém se atreveu a dizer nada. Eles olhavam uns para os outros, todos em silêncio. Jaktar manobrou a TERSAL para a órbita e tão rápido quanto foi possível entrou em voo superluminal.

Gal’Arn olhava para o chão, tentando superar as mortes de Irasuul, Nirisar e Thobenar. Isso era muito difícil.

O mundo Zorryk tinha sido um mundo sangrento. Ele tinha essa conotação, graças a Cau Thon e Goshkan.

Jonathan Andrews também estava cheio de tristeza. Ele tinha perdido a mulher que amava. Seu ódio contra Goshkan era imensurável. O que ele tinha feito a esta criatura? O que Jereta tinha feito a esta criatura? Nada! Ela teve que morrer para satisfazer seu desejo ignóbil. Ele deveria sofrer por isso, prometeu o terrano.

Ottilie Braunhauer arrastou-se para a sala de reunião, mas ainda claramente atordoada. Gal’Arn não notou que ela estava ali. Ela provavelmente ainda estava bêbada.

— Oh, eu estou me sentindo melhor. Isso é o mais importante — disse Braunhauer.

Neste momento, o cavaleiro pela primeira vez quis cometer um assassinato, mas ele se segurou.

Jaktar colocou a mão no ombro do amigo.

— Todos nós já perdemos pessoas que amamos. Mas temos que seguir em frente, caso contrário, nossos inimigos prevalecerão!

Gal’Arn sabia que o seu orbitante estava certo. Agora ele precisava se controlar, ser um modelo para os outros. E ele faria isso!

— Nós sempre nos recordaremos de Irasuul, Nirisar, Thobenar... e Jereta. Eles foram vítimas das forças do Caos, o que possa significar isso. Eles foram vítimas de um plano, uma conspiração da qual pouco sabemos. Respostas nós encontraremos somente na galáxia Dorgon, mas para isso precisamos saber sua localização — disse o cavaleiro, com energia renovada. Ele próprio não sabia de onde ela vinha. Gal’Arn olhou ao redor.

— O príncipe Thomas falou de Prosperoh. Deve haver um observatório. Nós voaremos para lá.

 

*

 

Uthe Scorbit estava nos braços de seu marido Remus. O terrano se fazia recriminações por não estar com ela, mas quem poderia prever estes acontecimentos.

Ele amorosamente acariciou seus cabelos. — Tudo vai ficar bem. Agora você precisa dormir e esquecer este dia!

Ele lhe deu um beijo e disse que a amava.

Uthe permaneceu em silêncio. Ela não podia adormecer. Ela estava com medo de adormecer. Toda vez que ela fechou os olhos, a imagem de Cau Thon aparecia. Ela ouvia sua voz.

“— Eu sinto o seu medo. O medo é o meu companheiro, meu aliado. Juntos nós somos fortes. Todo mundo tem medo, o herói, o forte, o fraco, o corrupto e você. Sim, eu sinto que você tem medo...!”

De fato, ela estava com medo desses seres. Ela nunca tinha encontrado uma figura com uma aura tão fria, mortal e diabólica. A partir daquele dia, ele tinha medo do futuro, porque ela sabia que Cau Thon não descansaria até que tivesse alcançado seus objetivos. Ele não pararia por nada e acabaria com qualquer um que ficasse em seu caminho.

Quais eram os seus objetivos, os terranos não sabiam, mas sabiam o perigo que Cau Thon representava. Esta criatura não era apenas uma ameaça para a tripulação da TERSAL ou galáxia Dorgon, mas também para a Via Láctea e talvez para todo o universo conhecido por eles.

 

FIM

 

Um pequeno grupo de terranos dispersos é encontrado pelos shagorianos da TERSAL. Juntos, eles experimentam a sua primeira aventura, o que levou a perdas trágicas pela brutalidade dos filhos do caos. Mais sobre este tema será descrito por Jens Hirseland no Volume 17 — OS JOGOS DE RODROM.

 

Comentário

 

O presente volume da continuidade a “reciclagem” dos “antigos livros de Dorgon”. Ele é baseado nas edições 17 e 26, que foram combinados em um único romance. O enredo foi simplificado e recebeu pequenas adições.

Resumindo, vivenciamos a primeira aparição de outro personagem principal que mais tarde desempenhará um papel fundamental. O marquês Dom Philippe Alfonso Jaime de la Siniestro tem a sua primeira aparição. A figura do marquês é um personagem dos mais enigmáticos (e também controverso) de toda a série. E, neste ponto, gostaria de assumir que eu, pessoalmente, não gosto dele.

No centro da trama está a destruição final dos cavaleiros das profundezas de Shagor que, exceto Gal’Arn, foram eliminados por Cau Thon e pelo querido Goshkan.

Outro destaque do episódio retrata o humor, por vezes peculiar de Nils, que introduz algumas pequenas pérolas fabulosas na narrativa. Mas, e por favor, permita-me, como “primeiro leitor”, dizer isto, por favor, por favor, Nils, dê um fim aos Braunhauer, senão terei dores de estômago, dores de cabeça e pesadelos terríveis. Talvez, e este seria o meu desejo sincero, Goshkan pudesse passar algum tempo com eles... Sabe, abrindo-lhes as barrigas, arrancando-lhes as pernas, ou... humm, é melhor não ir por esse caminho, queremos manter as coisas um pouco adequadas para famílias...

 

Jürgen Freier

 

GLOSSÁRIO

 

Jonathan Andrews

Jonathan Andrews por (C) Gaby Hylla

Nascido em 15/08/1266 NCG, Alemanha, Terra. Altura: 1,81 metro. Peso: cerca de 87 quilogramas. Olhos azuis e cabelos castanhos. Jonathan Andrews é muito simpático e honesto, mas muitas vezes demasiadamente direto, pode ter dificuldade em lidar com críticas e coloca suas habilidades em primeiro plano, é talentoso em muitos níveis, flerta muito, muitas vezes é demasiadamente apressado, mas é sério e leal. Às vezes fica de cabeça quente.

Andrews nasceu em Schleswig-Holstein e é um jovem terrano que quer aproveitar a vida. Após completar seus estudos, ele trabalhou em várias empresas e, por fim, em uma empresa construtora de planadores. Um dia ele recebeu uma proposta do diretor da fábrica de planadores, para entregar um novo planador a um cliente. O planador devia ser transportado para Olimpo. Com um subsídio extra e pagamento de despesas de viagem para Andrews se aceitasse e fizesse a viagem. No entanto, a viagem evoluiu de um modo diferente do que ele esperava.

A TEBAS descobriu uma espaçonave dos casaros no espaço vazio entre a Via Láctea e Andrômeda. Em companhia de Remus Scorbit e da tripulação de gananciosos da TEBAS, Andrews inspecionou a espaçonave. Eles descobriram não só muitos tesouros acumulados, mas câmaras de estase com os seres que serviram como objetos de estudo para o construtor desta estação. Andrews libertou quatro seres. Quatro terranos, três alemães do século XX e um marquês espanhol do século XVIII.

A TEBAS foi lançada por forças desconhecidas através de um portal estelar para a galáxia Zerachon. Com o space-jet, Andrews, Scorbit e os quatro terranos libertados seguiram a TEBAS. Lá, eles conheceram o cavaleiro das profundezas Gal’Arn e se juntaram a ele, depois de libertarem o restante dos passageiros e membros da tripulação da TEBAS.

No mundo Zorryk, Andrews se apaixonou por Jereta, a filha do estalajadeiro, mas esta foi assassinada por Goshkan.

 

Dom Philippe Alfonso Jaime de la Siniestro

Dom Philippe Alfonso Jaime de la Siniestro por (C) Roland Wolf

Nascido em 13/01/1761 em Siniestro, Espanha, Terra. Ele tem 1,70 metro de altura, magro, olhos castanhos e cabelos brancos.

Seu rosto era franzido e cheio de rugas. Seus cabelos eram longos e brancos. De la Siniestro ostentava o título de marquês e nas antigas colônias espanholas era um Dom. Seu pai era um nobre rico com propriedades na Espanha e no México. Após a sua morte Philippe herdou tudo e levou uma existência influente na Espanha. Ele conhece muitas celebridades e circulou nas cortes da realeza europeia.

Em 1795, ele se casou com a encantadora e jovem Isabella, mas ela morreu em 1817. O espanhol ficou solitário e, por fim, se retirou completamente. Depois que ele tentou violentar uma serva, ele provavelmente foi ferido por volta de 1841 por esta e estava morrendo. Ai ele foi raptado pelos casaros, curado e levado pela dobra de espaço-tempo ao espaço vazio entre Andrômeda e a Via Láctea para fins de pesquisa.

Enquanto o espanhol passou alguns anos no campo de estase, no tempo real passaram mais de 3.000 anos. Após a destruição da dobra de espaço-tempo no verão de 1290 NCG por VIVIER BONTAINER, de la Siniestro foi previamente colocado em segurança em uma nave de transporte. Lá, ele permanece em estase na espaçonave abandonada — provavelmente por intenção de Rodrom , até que espaçonave TEBAS o encontrou e de la Siniestro foi libertado da estase. De la Siniestro conseguiu se adaptar bem à nova situação graças ao seu intelecto e suportou bem ao hipnotreinamento Ele foi parar na galáxia Zerachon juntamente com Jonathan Andrews, Remus Scorbit e os outros três, onde eles encontram a TERSAL com Gal’Arn e se juntaram a ele. Lá eles são caçados pelos filhos de caos.

 

Zerachon

 

Uma galáxia espiral de localização desconhecida. No entanto, possui um portal estelar em um braço lateral da galáxia, sugerindo pelo menos alguma importância. Os mundos conhecidos até agora são um planeta desértico próximo ao portal estelar, desprovido de seres inteligentes, e os planetas Zorryk e Zechon. Parece haver um certo grau de unidade em algumas partes da galáxia, já que são chamadas de zerachonenses. No mundo de Zorryk, porém, os habitantes vivem em condições primitivas medievais, embora tenham conhecimento dos habitantes de outros mundos.

 

Zorryk

 

Mapa do planeta Zorryk por (C) Stefan Wepil

Um planeta na galáxia Zerachon. Ele possui vegetação e paisagens exuberantes. A população de Zorryk encontrasse no nível intelectual e tecnológico dos terranos da Idade Média. No entanto, eles estão acostumados a receber visitantes de outros planetas. Seu governante tornou a visita de outros zerachonenses um negócio, que aparentemente gostam da tranquilidade deste mundo. Em 1290 NCG, a TERSAL pousou ali, para procurar um observatório ou cartas estelares e descobrir onde ficava exatamente a galáxia Zerachon. No entanto, eles foram rastreados por Cau Thon. Com isso Irasuul, Nirisar e Thobenar perdem suas vidas.

A paisagem colorida da floresta primitiva de Zorryk por (C) Stefan Wepil

 

Jereta

 

Em 1290 NCG Jereta era uma habitante do planeta Zorryk da galáxia Zerachon. Ela era uma jovem e bela filha do estalajadeiro com longos cabelos pretos, ingênua e sonhadora. Que conheceu Jonathan Andrews e se apaixonaram rapidamente um pelo outro. Ela queria viajar com ele para as estrelas, mas o romance terminou em um dia, porque ela foi vítima de Goshkan, que a torturou e posteriormente a assassinou cruelmente.

1Nota do revisor: A IMPERATRIZ DO ESPAÇO SIDERAL (IES) era uma espaçonave de cruzeiro de luxo da Terra, por volta de 1199 NCG e passou por duas tragédias descritas nos Romances Planetários 366 e 391, ainda inéditos no Brasil. Talvez daí venha a inspiração para os romances com tragédias espaciais de Dorgon.

2Nota do tradutor: Dedo em martelo é uma deformidade dos pés. Trata-se de uma curvatura anormal nos dedos em que suas extremidades ficam curvadas para baixo.

3Nota do revisor: Vurguzz é uma bebida – extremamente – alcoólica bastante conhecida e popular no Perryverso, cujo personagem Atlan compara seu gosto ao de desinfetante.

4Nota do revisor: não tão impecavelmente né? A frase original seria: “— Não se atreva a me tocar! Você não sabe quem eu sou? Sou o marquês Dom Philippe Alfonso Jaime da província espanhola de Siniestro.” que, também pode estar errada no “original” espanhol, já que o autor é alemão.

5 Nota do tradutor: Será que poderíamos tomar uma cerveja aqui?

6Nota do Tradutor: Título honorífico dado aos membros da família real e da antiga nobreza e a certas categorias religiosas.

7Nota do Tradutor: Bens da vida são aqueles que por ventura tem valor econômico, afetivo ou ligado à personalidade e serem passíveis de vinculação e apropriação pelo ser humano, geram conflitos de interesses. Podem ser: essenciais ou vitais.